Crise nos combustíveis

Motoristas de matérias perigosas preparam terceira greve em cinco meses

Motoristas de matérias perigosas preparam terceira greve em cinco meses

Pré-aviso foi entregue esta quarta-feira.

Os motoristas de matérias perigosas vão voltar à greve entre os dias 7 e 22 de setembro, mas desta vez só aos fins de semana e trabalho extraordinário, anunciou esta quarta-feira o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas.

De acordo com Francisco São Bento, presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), o pré-aviso de greve já foi entregue.

A medida foi hoje anunciada por Francisco São Bento em resposta "à intransigência da Antram [Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias] em não aceitar" os "princípios básicos e legais" que os motoristas consideram essenciais "como ponto de partida para a mediação negocial".

Numa conferência de imprensa realizada hoje em Aveiras da Cima (Lisboa), o presidente SNMMP garantiu que "os trabalhadores não trabalharão de graça, nem existirão pagamentos por baixo da mesa, não tributados".

Entre os considerandos para a convocação da greve "cirúrgica", abrangendo as horas extraordinárias, fins de semana e feriados, Francisco São Bento sublinhou a exigência do pagamento "das horas extraordinárias acima das nove horas e meia de trabalho diário" e de que as mesmas "sejam pagas de acordo com o que se encontra tipificado na lei".

Os motoristas de matérias pesadas exigem ainda "um aumento do subsídio não inferior a 50 euros", para pôr fim à greve ao trabalho suplementar.

Questionado pelos jornalistas, o presidente do SNMMP refutou estar a "demarcar-se" das estruturas que aceitaram o acordo com a Antram, a Fectrans - Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações e o Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM), sustentando estar apenas a pugnar para que "se cumpra a lei".

Francisco São Bento disse ainda ter ficado mandatado pelos associados, no plenário realizado no domingo, para encetar "outras formas de luta" que só serão divulgadas posteriormente.

Para já, o SNMMP vai "aguardar" que a greve dê "os seus frutos", considerando que na última paralisação, entre os dias 12 e 18, ficou provado que "as empresas funcionam com base no trabalho extraordinário destes trabalhadores", alguns dos quais somam já "mais de 500 horas" extraordinárias.

A greve dos motoristas de matérias perigosas, que levou o Governo a adotar medidas excecionais para assegurar o abastecimento de combustível, terminou no domingo, ao fim de sete dias de protesto, depois de o SNMMP, que se mantinha isolado na paralisação desde quinta-feira à noite, a ter desconvocado.

No domingo, na moção aprovada durante o plenário, os motoristas decidiram mandatar a direção do sindicato para, caso a Antram demonstrasse uma "postura intransigente" na reunião agendada para hoje, tomar medidas, como "a convocação de greves às horas extraordinárias, fins de semana e feriados", até que os interesses dos motoristas sejam efetivamente assegurados.

O Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias desvinculou-se da greve ao quarto dia, na quinta-feira à noite, e vai regressar às negociações com o patronato em 12 de setembro.