Desafios da Mente

Os perigos das fake news na saúde mental

Os perigos das fake news na saúde mental
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Apesar de terem voltado à discussão em época de pandemia, as fake news, em português falsas notícias, podem acontecer em qualquer área e não são, propriamente, um tema novo. Hoje em dia, termos muitos conteúdos não significa que os mesmos sejam verdadeiros e de qualidade. Por isso, a ciência psicológica já alertou para os perigos das fake news na saúde mental.

O que podemos entender por fake news?

Podemos definir fake news como conteúdo falso produzido, deliberadamente, para imitar notícias legítimas e convencionais, de modo a induzir o público a acreditar que são informações verdadeiras pela forma subtil que são apresentadas.

Neste universo, podemos incluir notícias falsas, rumores, mitos, teorias da conspiração, embustes, bem como conteúdos enganosos ou errados.

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As fake news são tão antigas como a própria guerra. Por exemplo, reza a história que a 15 de Abril de 1861, três dias após o início da Guerra Civil Americana, foi publicado um artigo no New York Herald, segundo o qual o corpo de George Washington tinha sido removido do seu túmulo e levado para as montanhas da Virgínia para lá ser enterrado.

Dado o clima político tenso da época, esta forma precoce de isco estimulou a venda de mais jornais, mas também serviu para aumentar a inquietação social.

O digital revolucionou a informação?

O aumento de fake news tem vindo a tornar-se numa questão mundial. Apesar das notícias falsas não serem, de todo, novidade, assumem agora maior preocupação devido à popularidade dos meios digitais, ao permitirem uma mais rápida difusão e por tempo indeterminado.

Mostra a investigação que as notícias que evocam emoções de elevada ativação, como por exemplo, o espanto, a raiva ou a ansiedade, são mais virais nas redes sociais.

De facto, os utilizadores dos meios digitais podem avançar ideias ou difundir notícias através de ações, gostos ou partilhas. Estamos invariavelmente expostos a um tipo de informação incontrolável, especialmente notícias que vêm de autores, fontes ou projetos independentes. Foi demonstrado que, apesar dos esforços, as redes sociais são um dispositivo influente para a divulgação de uma grande quantidade de conteúdos não filtrados, agravando a possibilidade de manipulação da perceção da realidade do público, através da divulgação de fake news.

Nos últimos meses, a mais notável partilha de fake news tem sido no contexto da Covid-19, apesar das suas repercussões negativas para a saúde. Isto apoia uma visão crescente de que o conteúdo falso se tornou mais pronunciado nas redes sociais.

Mas porque partilhamos conteúdos cuja veracidade desconhecemos?

Ainda que a criação de fake news possa ser altamente intencional, a sua partilha já não.

Estudos recentes a propósito da Covid-19 mostram que as pessoas podem redistribuir conteúdos falsos com a intenção de ajudar e alertar os outros. Ou seja, o altruísmo, enquanto tentativa de ajudar terceiros, foi considerado como um forte indicador da partilha de fake news relacionadas com a Covid-19. Tenha-se também em consideração que as pessoas têm maior probabilidade de partilhar informações provenientes de um amigo, pelo que se inicia uma espécie de bola de neve.

Sabe-se também que as pessoas circulam histórias falsas pela necessidade de partilha de informação e não apenas pelo mero entretenimento.