Desafios da Mente

“Quando me levanto para ir treinar é a minha felicidade. É como se fosse a primeira vez”

Mauro Paulino

Mauro Paulino

Psicólogo Clínico e Forense

Quer ser sempre o melhor e, aos 18 anos, o português ao serviço do Wolverhampton já não passa despercebido no mundo do futebol. Os elogios ao seu percurso são muitos. À conversa com o Desafios da Mente, é inquestionável a paixão com que fala do que faz. Será este um dos segredos do sucesso de Fábio Silva?

Fábio Daniel Soares Silva estreou-se na I liga pelo FC Porto em agosto de 2019. Com apenas 17 anos, tornou-se o futebolista mais novo da história do clube a jogar no campeonato nacional de futebol. Chamou a atenção e não demorou muito a dar o salto para uma das ligas mais competitivas do mundo. Foi a transferência mais cara de sempre do Wolverhampton, 40 milhões de euros.

Este ano, cumpriu a primeira época completa no clube inglês, que lhe atribuiu o prémio de jovem do ano. Os aplausos ao miúdo natural do Porto são muitos e há quem diga que vai ter um futuro brilhante.

“É mesmo o melhor do Mundo na sua idade”

Jeff Shi não poupa nos elogios ao avançado português. Para o dono do Wolverhampton, “não há muitos jovens de 18 anos a jogar na Premier League com golos e boas exibições. Fábio Silva é mesmo o melhor do Mundo na sua idade. No mínimo, está no top três".

"Se olharmos com atenção, vemos que está ali um jogador muito inteligente. E não é fácil encontrar um bom avançado. Normalmente, é preciso tempo para um avançado se formar, mas o Fábio já é tão bom, tão formidável", acrescenta.

Jeff Shi considera que o crescimento do avançado é notório. "É visível como se desenvolveu. Vejo-o todos os dias a treinar duramente, mas sempre com um sorriso. Acredito que vai ter um futuro brilhante.”

“Paixão por tudo o que faz”

Em entrevista ao Desafios da Mente, Fábio Silva diz que ainda não pensou muito sobre o futuro, porque gosta de ir vivendo o dia a dia, mas sabe que “quer ser sempre o melhor”.

É muito jovem, mas considera-se muito exigente e não tem dúvidas que uma mente vencedora é aquela que quer ser a melhor versão de si mesma e superar-se todos os dias. Diz ainda que deve ser focada e humilde e, acima de tudo, deve ter paixão por tudo o que faz.

No seu percurso, diz que todos os momentos, os bons e os menos bons, contribuem para conseguir ter uma mentalidade vencedora. Não o consegue sozinho, porque, admite, as pessoas que estão à sua volta também ajudam muito. Em especial a passar a mensagem daquilo em que pode melhorar.

A cultura do futebol vem de casa e desde muito cedo. Fábio Silva diz que quando está com o pai e o irmão respiram futebol. “Quando estamos em casa, é futebol 24 horas, só falamos de futebol, férias é a jogar a ver futebol”.

Fora e dentro do campo, diz que não pode perder a sua essência e a humildade, porque é aquilo que o distingue. “Quando se sobe um degrau no sucesso, tens de subir dois na humildade”, diz. Por isso, procura ser sempre a melhor pessoa possível para as pessoas continuarem a apreciar o seu futebol e também a pessoa que é.

“Ser sempre o melhor”

Para "ser sempre o melhor”, sabe que é importante trabalhar não só o físico, mas também o psicológico.

Quando as coisas correm bem, está tudo bem, mas quando correm menos bem é à família que recorre para recuperar o bem-estar. “Quando te deparas com o erro é difícil pelo que ouves à volta, mas a melhor forma de me refugiar é falar com a minha família, com as pessoas que amo e que gosto”, conta. Considera, no entanto, que o erro é o momento chave para a seguir acertar e fazer bem.

Mesmo assim, diz que gosta de lidar com a pressão "dentro e fora de campo”.

“Treinar é a minha felicidade”

Antes dos jogos tem cuidado com a alimentação, tenta dormir bem e estar tranquilo, porque é meio caminho para que as coisas corram bem.

O que não pode faltar à vida de Fábio Silva é o futebol. “Quando me levanto todos os dias para ir treinar é a minha felicidade. É como se fosse a primeira vez”. Admite que tem medo de se lesionar, mas o maior receio de um atleta é quando chega a um nível “grande” e não atinge os seus objetivos e acaba por cair.

Gosta de viver o dia a dia, sem pensar muito no amanhã, mas espera continuar a bater recordes, porque, diz, que ainda tem muito para conquistar.

Veja também:

A Página do Desafios da Mente