Eleições no Brasil

Juízes do Supremo reúnem-se com Bolsonaro e conversa foi "cordial"

Juízes do Supremo reúnem-se com Bolsonaro e conversa foi "cordial"
Joedson Alves

No discurso de dois minutos, o Presidente brasileiro abriu a porta a uma transição de poder pacífica. Após as declarações, os juízes do Supremo Tribunal Federal reuniram-se com Bolsonaro.

Juízes do Supremo Tribunal Federal estiverem reunidos na terça-feira com o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, após o seu primeiro discurso depois de perder as eleições de domingo, e destacaram ter sido uma conversa cordial em prol da paz.

"Tratou-se de uma visita institucional, em ambiente cordial e respeitoso, em que foi destacada por todos a importância da paz e da harmonia para o bem do Brasil", indicou, em comunicado, o Supremo Tribunal Federal (STF).

Jair Bolsonaro garantiu na terça-feira que respeitará a Constituição brasileira, deixando a porta aberta para uma transição pacífica de poder para o Presidente eleito Lula da Silva, que ocupará o cargo a partir de 1 de janeiro e, apesar de não o ter parabenizado, o Supremo Tribunal Federal gostou destas garantias dadas.

Minutos depois do seu discurso no Palácio da Alvorada, Bolsonaro dirigiu-se à sede do STF, também em Brasília, e reuniu-se com presidente do tribunal, a juíza Rosa Weber, com Gilmar Mendes, Luiz Fux, Edson Fachin, Nunes Marques, André Mendonça e ainda com Alexandre de Moraes, que é o presidente do Tribunal Superior Eleitoral. O ministro da Economia, Paulo Guedes, também marcou presença.

Bolsonaro tinha convidado os juízes do Supremo Tribunal Federal a estarem presentes na sua declaração ao público, mas os juízes terão dito que prefeririam aguardar para perceberem o conteúdo do discurso de Bolsonaro.

Após a declaração do Presidente brasileiro, o STF emitiu uma nota na qual reconheceu a importância do discurso de Bolsonaro em relação aos protestos e bloqueios de estradas, mas também por ter determinado o início do processo de transição.

"O Supremo Tribunal Federal consigna a importância do pronunciamento do Presidente da República em garantir o direito de ir e vir em relação aos bloqueios e, ao determinar o início da transição, reconhecer o resultado final das eleições", indicou, numa nota, o STF.

Jair Bolsonaro discursou na terça-feira no Palácio da Alvorada, naquela que foi a sua primeira declaração depois de ter perdido as eleições de domingo, tendo apelado aos seus apoiantes que abandonassem os protestos e garantido que respeitará a Constituição.

"Os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral. As manifestações pacíficas sempre são bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população", frisou o Presidente brasileiro.

Jair Bolsonaro apelou assim aos milhares de apoiantes que, desde a madrugada de segunda-feira, bloquearam várias estradas do país por não aceitarem o resultado das eleições, que Luiz Inácio Lula da Silva venceu com 50,9% dos votos, contra 49,1% obtidos por Bolsonaro.

O Presidente brasileiro deixou também a porta aberta para uma transição já que disse respeitar a Constituição.

"Sempre fui rotulado como antidemocrático e, ao contrário dos meus acusadores, sempre joguei dentro das quatro linhas da Constituição. Nunca falei em controlar ou censurar os média e as redes sociais. Enquanto Presidente da República e cidadão, continuarei cumprindo todos os mandamentos da nossa Constituição", disse.

Com 100% dos votos contados, Luiz Inácio Lula da Silva ganhou as eleições presidenciais de domingo por uma margem estreita, recebendo 50,9% dos votos, contra 49,1% para Jair Bolsonaro, que procurava um novo mandato de quatro anos.

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