Eleições nos EUA

Mike Pence: o "evangélico renascido" que concorre de novo à Casa Branca

Jonathan Drake / Reuters

Breve biografia do candidato de Donald Trump à vice-presidência dos EUA.

O antigo congressista e governador de Indiana foi eleito vice-Presidente dos Estados Unidos na Presidência de Donald Trump em 2016. A dupla repete-se quatro anos depois e vai a votos a 3 de novembro. Quem é Mike Pence?

Mike Pence foi apresentador de rádio e televisão de programas conservadores na década de 1990. Depois de duas tentativas falhadas, à terceira chegou ao Congresso dos EUA em 2000 e, em 2012, foi eleito governador de Indiana. Em julho de 2016, o candidato presidencial republicano Donald Trump escolheu-o como seu parceiro de corrida e, a 8 de novembro de 2016, Pence foi eleito vice-presidente dos Estados Unidos. Vai de novo a votos ao lado de Trump.

De admirador de John F. Kennedy a "evangélico renascido"

Michael Richard Pence nasceu a 7 de junho de 1959, em Columbus, Indiana, um dos seis filhos de Nancy e Edward Pence, um veterano do Exército dos EUA e dono de postos de gasolina.

O Governador do Indiana Mike Pence no congresso da National Rifle Association (NRA) emn Louisville, Kentucky, maio de 2016.

O Governador do Indiana Mike Pence no congresso da National Rifle Association (NRA) emn Louisville, Kentucky, maio de 2016.

John Sommers II / REUTERS

Pence foi politicamente influenciado pelas tendências católicas irlandesas da sua família. Cresceu a idolatrar o Presidente democrata John F. Kennedy e chegou a oferecer-se como voluntário para o Partido Democrático do condado de Bartholomew como estudante na Columbus North High School.

Votou no democrata Jimmy Carter em 1980, mas acabou por ser mais influenciado por Ronald Reagan e pelo Partido Republicano. Formou-se em História em 1981 e em Direito em 1986 pela Universidade de Indiana.

Embora a igreja tenha desempenhado um papel importante na sua vida, foi na universidade que se tornou profundamente religioso, altura em que conheceu a mulher Karen e que se tornou um "evangélico renascido", como o próprio diz.

"Cristão, conservador e republicano, por esta ordem", sublinha Pence

Pence é casado com Karen desde 1985, uma antiga professora do ensino primário com quem tem três filhos, hoje adultos: Michael, Charlotte e Audrey.

Desde os seus programas televisivos e de rádio à sua carreira no Congresso e como Governador do Indiana, Pence ficou especialmente conhecido pelo seu conservadorismo social.

O seu mote: "um cristão, um conservador e um republicano, por esta ordem".

Opõe-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à revogação do "Don't ask, don't tell" (Não pergunte, não diga), política segundo a qual os militares homossexuais têm de esconder a sua sexualidade ou correr o risco de serem expulsos do exército.

Fortemente contrário ao aborto, Pence pressionou para retirar financiamento à Planned Parenthood, organização fundada em 1942 para o controlo da natalidade e planeamento familiar.

Representante Republicano pelo Indiana, Mike Pence visitou Bagdade com um grupo de congressistas dos EUA a 1 de abril de 2007.

Representante Republicano pelo Indiana, Mike Pence visitou Bagdade com um grupo de congressistas dos EUA a 1 de abril de 2007.

REUTERS

A sua carreira de 12 anos no Congresso ficou marcada por posições marcantes no seio dos próprios republicanos. Opôs-se à política do Presidente George W. Bush " Nenhuma criança fica para trás" (financiamento para todas as escolas públicas), em 2001, bem como ao prolongamento da política de medicamentos do Medicare.

Embora as suas posições irritassem os mais velhos do partido, aumentaram a sua reputação como um homem de fortes convicções. Foi reeleito cinco vezes e tornou-se um elemento influente dentro do Tea Party, movimento mais conservador e populista.

Em 2012, concorreu e ganhou o cargo de governador do Indiana. No seu mandato gerou controvérsia ao assinar a Lei de Restauração da Liberdade Religiosa, criticada por discriminar a comunidade LGBT ao permitir que as empresas recusem prestar serviço alegando crença religiosa.

Sob pressão, Pence acabou por assinar uma emenda à lei declarando que as empresas não podiam discriminar os homossexuais. Revisão essa que foi alvo da crítica dos conservadores, que se sentiram traídos.

Também fez história ao assinar em 2016 uma lei que impedia o recurso ao aborto quando o feto tivesse malformações. A lei acabou revogada pelo tribunal.

Em 2017, Pence foi o primeiro vice-presidente em funções a assistir ao maior comício anti-aborto "March for Life" e desde então aparece todos os anos.

Pence com a mãe, mulher e filhos na campanha de 2016

Pence com a mãe, mulher e filhos na campanha de 2016

Mike Segar / Reuters

Um leal braço direito que não ergue a voz para criticar Trump

Em julho 2016, o candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, convidou Pence para ser o seu "parceiro de corrida".

Uma escolha com sentido, uma vez que a influência de Pence entre os republicanos mais conservadores era um bom trunfo para afastar quaisquer dúvidas que tivessem sobre um candidato a Presidente sem experiência política e posições controversas..

Durante a campanha eleitoral, Pence apareceu sempre ao lado de Trump. A sua principal missão era a de apoiar o candidato quando as controvérsias surgiam - nomeadamente quando Trump pareceu sugerir o recurso às armas contra a rival Hillary Clinton ou ainda quando o filho Donald Trump Jr. fez comparações entre refugiados e os rebuçados Skittles envenenados.

Também apoiou sempre Trump na recorrente acusação de que o antigo Presidente Barack Obama não tinha nascido nos Estados Unidos.

O candidato republicano Donald Trump anuncia o seu candidato a vice-presidente Mike Pence, julho de 2016.

O candidato republicano Donald Trump anuncia o seu candidato a vice-presidente Mike Pence, julho de 2016.

John Sommers II / Reuters

Já na Casa Branca, Pence procurou promover as políticas de Trump e sempre o defendeu a cada vez que aparecia um escândalo.

Em 2019, opôs-se veementemente ao processo de impeachment da Câmara dos Representantes contra Trump, que supostamente reteve a ajuda à Ucrânia a fim de pressionar o país a abrir uma investigação de corrupção contra Joe Biden.

Trump acabou absolvido pelo Senado em fevereiro de 2020.

Como é eleito o Presidente dos Estados Unidos da América

O Presidente dos Estados Unidos tem uma grande influência tanto em casa como no resto do mundo. O resultado das próximas presidenciais a 3 de novembro terá por isso importância para todos. Nestas eleições que decorrem de quatro em quatro anos é ainda eleito o Congresso.