Eleições nos EUA

Eleições nos EUA. Congresso norte-americano certifica vitória de Joe Biden

Andrew Harnik

Trump já concordou com uma transição pacífica de poder.

O Congresso norte-americano certificou há instantes os votos do Colégio Eleitoral que determinam a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais de 3 de novembro.

O vice-Presidente republicano, Mike Pence, validou o voto de 306 grandes eleitores a favor do democrata contra 232 para o Presidente cessante, Donald Trump, no final de uma sessão das duas câmaras.

Trump promete transição pacífica

Entretanto, Donald Trump já concordou com uma transição pacífica de poder. Em comunicado, o Presidente cessante considera que a decisão do Congresso "representa o fim do melhor primeiro mandato da história presidencial."

"Apesar de discordar totalmente com os resultados da eleição, e os factos confirmam-no, haverá uma transição pacífica a 20 de janeiro", garantiu.

Confirmação acontece após invasão do Capitólio

A sessão de trabalhos esteve interrompida durante algumas horas depois de os apoiantes de Donald Trump terem invadido o Capitólio. A Guarda Nacional teve de intervir e foi decretado o recolher obrigatório em Washington. Dos confrontos resultaram pelo menos quatro mortos e 52 detidos.

As críticas, apelos e provocações dos líderes mundiais à invasão do Capitólio

A invasão dos apoiantes de Donald Trump ao Capitólio não ficou indiferente aos líderes mundiais. Por cá, António Costa diz que as imagens são inquietantes e que o resultado das eleições de novembro deve ser respeitado com uma transição pacífica do poder. Um apelo repetido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que diz estar a acompanhar a situação em Washington.

Da União Europeia chegam palavras semelhantes. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, e Josep Borrell, chefe da diplomacia europeia, dizem confiar nas instituições norte-americanas e esperam que a transição de poder de Trump para Biden seja pacífica.

Em comunicado, António Guterres apela ao respeito pelos processos democráticos.

Para Boris Johnson, a invasão ao Capitólio é "vergonhosa". O primeiro-ministro britânico diz ainda que os Estados Unidos defendem a democracia em todo o mundo e que, por isso, devem agora também certificar-se de que Joe Biden recebe a pasta de forma pacífica.

O Japão recusa comentar, mas espera que a democracia norte-americana ultrapasse esta "difícil situação".

No Twitter, o representante da Rússia nas Nações Unidas deixa uma provocação. Diz que as imagens que chegam de Washington fazem lembrar a Maidan, a praça de Kiev que foi palco da independência da Ucrânia da União Soviética.

Invasão do Capitólio “não foi surpresa, havia informação que isto podia acontecer”

Para Germano Almeida, especialista em assuntos internacionais, este ficará marcado como “o dia mais negro da história americana”, sublinhando que houve uma rutura no respeito pelas instituições.

O especialista critica a ingenuidade de, depois do Presidente ter apelado à insurreição, ter-se achado que “isso não ia ter consequências”. Diz, ainda assim, que o maior mistério foi a falha de segurança no Capitólio.

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