Presidenciais

Ana Gomes: "Responsabilidade por falhar é só minha"

A reação da candidata aos resultados eleitorais. 

Ana Gomes considera que a extrema-direita teria mais progressão se não se tivesse candidatado à corrida a Belém. A candidata assume a derrota e admite que falhou.

No discurso, a candidata presidencial assume ter falhado o objetivo de uma segunda volta nas presidenciais, mas diz ter cumprido o "objetivo patriótico" de impedir que a ultradireita assumisse uma posição de "possível alternativa".

"Se eu não tivesse estado nesta disputa, estaríamos hoje a lamentar ainda mais a progressão da extrema-direita", afirmou Ana Gomes, em declarações aos jornalistas, no final da noite eleitoral.

A candidata disse já ter telefonado a Marcelo Rebelo de Sousa a felicitá-lo pela sua reeleição.

"Já tive ocasião de lhe telefonar e lhe fazer chegar as minhas felicitações e dizer do meu empenho em tudo fazer para que o segundo mandato sirva para ajudar a reforçar a democracia e não dar mais argumentos e respaldo aos que a querem destruir e que conseguiram tantos votos tirar ao PSD e ao CDS", afirmou.

Ana Gomes surgiu na sala onde estão concentrados os jornalistas ladeada pela mandatária nacional, Isabel Soares, e pelo diretor de campanha, Paulo Pedroso.

Na plateia, com poucos convidados devido à pandemia de covid-19, não esteve nenhuma figura de peso do PS, apenas o deputado Ivan Gonçalves, o porta-voz do PAN, André Silva, ou o membro do Livre Ricardo Sá Fernandes - dois partidos a quem a candidata agradeceu o seu apoio.

"Agradeço ao mais de meio milhão de portugueses que me deram o seu voto, não consegui o objetivo de levar a uma segunda volta nestas eleições e a responsabilidade é só minha, assumo-a. Mas cumpri o meu objetivo central, um objetivo patriótico: representar o campo dos democratas progressistas e europeístas e impedir que a ultradireita ascendesse a uma posição de possível alternativa", afirmou.

A candidata aproveitou a sua intervenção para expressar a sua solidariedade com a famílias das vítimas e com os doentes com covid-19 e aos membros das mesas de voto que permitiram a realização destas eleições.

"O elevado nível de abstenção não pode ser apenas atribuído à pandemia, houve quem quisesse desvalorizar estas eleições", afirmou, mas salientou que a abstenção poderá ter diminuído em termos reais, o que demonstrou o interesse dos portugueses nesta eleição.

"Mais eleitores vieram votar, mais jovens vieram votar. A minha candidatura contribuiu para mobilizar mais jovens e tornar estas eleições genuinamente competitivas", destacou.

AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS AO MINUTO