Presidenciais

"Estar em Paris é como estar em Portugal": Marques Mendes defende mais investimento no ensino do português

Candidato às presidenciais de 2026 sublinha necessidade de reforço do ensino da língua portuguesa nas comunicado para que esta "não se esvazie".

"Estar em Paris é como estar em Portugal": Marques Mendes defende mais investimento no ensino do português
Horacio Villalobos

O candidato presidencial Luís Marques Mendes defende que Portugal deve fazer um "maior" investimento no ensino do português nas comunidades portuguesas, para reforçar a influência da língua no mundo e os laços com os emigrantes.

Em pré-campanha em Paris, cidade onde, durante dois dias e meio (de 4 a 6 de outubro), mantém contactos com a comunidade portuguesa, depois de nos dois dias anteriores ter passado pelo Luxemburgo (2 e 3 de outubro), o ex-presidente do PSD considera ser preciso mobilizar mais investimento para escolas no estrangeiro e para captar mais professores para o ensino da língua no estrangeiro.

"É preciso uma maior aposta, um maior investimento no português", diz à agência Lusa, defendendo a criação de incentivos para os docentes se fixarem nas comunidades portuguesas.

"Se não investimos, evidentemente que o português tende a esvaziar-se. Vou colocar todo o enfoque e a minha magistratura de influência nesta prioridade [enquanto Presidente da República]", promete, lembrando que o manifesto por si lançado em setembro dedicado às "comunidades portuguesas" tem como prioridade reforçar a aposta na cultura, na língua e no ensino do português.

"Ando a dizer isso há muito tempo e constatei aqui em Paris esta total sintonia [de pensamento]: a comunidade sente-se bem, tem uma boa relação com Portugal, está muito bem relacionada com as autoridades e com as elites francesas, mas sente que, se não houver mais investimento na língua portuguesa, evidentemente que o português tende a perder importância", sublinha.

No manifesto, Marques Mendes recorda que, enquanto secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros do segundo Governo de Cavaco Silva, criou nos anos 1990 a RTP Internacional, e sublinha que um Presidente da República deve usar a sua magistratura de influência para fazer das comunidades portuguesas um grande ativo estratégico.

À Lusa, insiste que a língua tem nesse caminho um papel central.

"Portugal não pode entrar nesta contradição: estar a defender, e bem, que o português seja uma língua oficial das Nações Unidas - é uma pretensão justa, correta e legítima -, mas depois não investimos, tanto quanto deveríamos, no ensino do português junto das comunidades", fundamenta.

Ponto de partida: Luxemburgo

Luís Marques Mendes, que tem o apoio do PSD, decidiu começar no Luxemburgo a pré-campanha nas comunidades, por ser um país onde a população portuguesa "é muito significativa", representando quase 20% do total.

Nos dois dias de contactos no Grão-Ducado, diz ter constatado que "a comunidade portuguesa, que é adorada pelas autoridades do Luxemburgo, tem muito prestígio, é muito respeitada".

Em Paris, onde está desde sábado, afirma ter encontrado uma comunidade bem integrada.

"Estar em Paris é como estar em Portugal. Paris é, de facto, uma cidade que tem grandes valores, grande cultura e grande história, mas uma parte grande da história moderna de Paris tem a ver com a comunidade portuguesa, que é exemplar", nota, partilhando, de seguida, três apontamentos sobre o que tem observado.

"Primeiro, é uma comunidade que está muito integrada na sociedade parisiense. Segundo, é uma comunidade que não cria problemas, pelo contrário, ajuda a resolver os problemas da França. Em terceiro lugar, tem um sentimento muito positivo, embora entenda - e eu subscrevo totalmente - que há neste momento uma lacuna séria da parte de Portugal: é preciso uma maior aposta, um maior investimento no ensino do português, na língua portuguesa", reforça.

Entre outras ações de pré-campanha, Marques Mendes tem agendada uma visita guiada à Catedral da Notre Dame, em cuja reconstrução participaram várias empresas de portugueses. Ao final da tarde, é recebido pelo embaixador de Portugal e, na segunda-feira de manhã, visita o Consulado Geral de Portugal e almoça com a Associação dos Autarcas Portugueses de França.