O dia de pré-campanha presidencial fica marcado pelas propostas dos candidatos para a habitação, depois de o Governo ter apresentado um pacote de medidas para o setor. Entretanto, Manuel João Vieira está mais próximo de entrar na corrida presidencial.
A formalização de uma candidatura presidencial exige a entrega de pelo menos 7.500 assinaturas no Tribunal Constitucional. Manuel João Vieira é um dos primeiros a cumprir este requisito. O candidato garante que entregou mais de 12.500. Se forem validadas, vai estar nos boletins de 18 de janeiro.
Os mandatários das candidaturas podem ser considerados auxiliares, mas há um que veio criar dificuldades a Gouveia e Melo. Afonso Camões, mais uma figura próxima de José Sócrates, que estava entre os apoiantes do almirante, mas que decidiu deixar o lugar de mandatário para não o prejudicar.
“Foi ele que tomou essa decisão, não lhe pedi. Julgo que é uma decisão nobre”, declarou Henrique Gouveia e Melo.
O Governo pôs o tema da habitação na agenda do dia, com a apresentação de um novo pacote.
“Acho que o Governo está no caminho certo. Está a fazer o que tem de fazer para promover não só a construção, como também os proprietários que têm habitação terem o incentivo para a colocarem no mercado de arrendamento”, defendeu Gouveia e Melo.
O assunto entrou no discurso de vários candidatos, que têm propostas concretas.
“Que os partidos estabeleçam entre si um compromisso de que durante um largo período de tempo - no mínimo, dez anos – se comprometem a não mexer nas regras do arrendamento, a garantir estabilidade”, propôs Luís Marques Mendes.
Já André Ventura quer “permitir que os gastos que se têm com habitação sejam dedutíveis fiscalmente”.
“É esse o caminho que o Governo devia fazer, quer nas rendas, quer no crédito à habitação. (...) É a única forma de as pessoas sentirem que os gastos que estão a ter com a sua casa contam para alguma coisa.”
Jorge Pinto considera que devem ser seguidos os exemplos do que melhor se faz noutro países.
“A médio prazo devemos apontar para os 10%/15% e ser até ambiciosos e tentar almejar números como os que acontecem em Viena de Áustria, onde passa os 50% de parque habitacional não especulativo, de habitação pública ou cooperativa”, defende.
À esquerda, Catarina Martins não quer ouvir falar de desistências e rejeita abdicar a favor de outro candidato à esquerda mais bem posicionado para chegar a uma segunda volta das presidenciais.
“António José Seguro esteve, no passado da troika, e continua a estar hoje (...), ao lado daquelas pessoas que acharam que as crises do nosso país se ultrapassavam tirando mais rendimento a quem vive do seu trabalho”, aponta. “Eu lutarei para estar na segunda volta.”
Para já, ninguém desiste.
