Presidenciais 2026

Presidenciais: Seguro e Ventura seguem para a segunda volta, com esquerda a unir-se e "direita fragmentada"

Entre derrotados e vencidos, são mais os primeiros, entre os 11 candidatos que se apresentaram nesta corrida a Belém. No final, só Seguro e Ventura seguem para a segunda volta, a 8 de fevereiro. Se um já entrou ao ataque, outro apelou à união. À Direita, PSD é carta fora do baralho, enquanto à Esquerda, todos apostam as fichas no socialista, que "sem amarras partidárias", foi o grande vencedor da noite. E agora, o que se segue? Mais duas semanas de campanha e nova ida às urnas para eleger o sucessor de Marcelo.
Presidenciais: Seguro e Ventura seguem para a segunda volta, com esquerda a unir-se e "direita fragmentada"
Ana Martingo // SIC

As primeiras projeções das eleições presidenciais confirmaram desde logo o que se vinha a prever há semanas: o próximo Presidente da República só será eleito numa segunda volta, algo que não acontecia há 40 anos. Contudo, houve uma surpresa: António José Seguro, candidato apoiado pelo Partido Socialista, venceu a primeira ronda.

No início da noite eleitoral havia dúvidas sobre quem seria o adversário de Seguro, se André Ventura, apoiado pelo Chega, ou João Cotrim de Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, mas depressa se confirmou que será Ventura quem marcará presença na segunda volta, a 8 de fevereiro.

Até hoje, apenas uma eleição presidencial se resolveu à segunda volta, foi em 1986, quando Mário Soares derrotou Diogo Freitas do Amaral. Agora a disputa vai ser entre Seguro e Ventura e, se o PSD já se demarcou pela voz de Montenegro, outros partidos já garantiram o voto no socialista.

Para trás fica a eleição com o maior número de eleitores de sempre - mais de 11 milhões -, e de candidatos 11, apesar de 14 terem apresentado candidaturas e de isso ter, aparentemente, tido impacto nos votos nulos, que registaram um aumento de 62% e que, pela primeira vez desde o 25 de Abril, superaram os brancos.

A noite prometia ser longa e intensa, e o primeiro a reagir foi um dos derrotados. Jorge Pinto, candidato apoiado pelo Livre, garantiu que não vai "baixar os braços" e garantiu, desde já, o voto em Seguro na próxima volta.

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Jorge Pinto deixou ainda um apelo ao Livre para que faça o mesmo, argumentando que todos os que se revêm na Constituição só têm como opção apoiar Seguro.

Catarina "preocupada" com resultado da extrema-direita

A única mulher na corrida, Catarina Martins, foi a segunda candidata a reagir ao desfecho eleitoral. Apoiada pelo Bloco de Esquerda, Catarina reconheceu que o seu resultado foi "muito abaixo" do que esperava e admitiu estar "preocupada" com o da extrema-direita por ter sido, disse, "muito expressivo".

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Por isso, e para a segunda volta, Catarina Martins deixou também o apelo ao voto em António José Seguro.

Marques Mendes assume responsabilidade "por inteiro"

Numa declaração sem direito a perguntas, Luís Marques Mendes assumiu a responsabilidade da derrota nas eleições e adiantou que não declarará apoio a nenhum dos candidatos à segunda volta.

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O candidato apoiado pela AD (coligação PSD/CDS) garantiu que não vai guardar "qualquer mágoa ou rancor" nem ficar "amargurado ou ressentido. Pelo contrário, e apesar da pesada derrota, Marques Mendes disse estar "honrado" por ter sido candidato.

A garantia de Montenegro

A partir da sede do PSD, o primeiro-ministro disse aceitar "democraticamente o veredicto e a escolha dos portugueses" e manifestou "satisfação pelo aumento da participação" dos portugueses, que mostra "o interesse que a atividade política e cívica desperta".

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Depois de felicitar todos os candidatos na corrida a Belém, Montenegro, enquanto líder do PSD, deixou uma felicitação "em particular" aos dois candidatos que "vão disputar a segunda volta: António José Seguro, candidato à Esquerda do PSD, e André Ventura, o candidato que ocupa o espaço político à direita do PSD", mas deixou uma garantia.

"Não emitiremos nenhuma indicação, nem é suposto fazê-lo". Porquê? Montenegro justificou que na segunda volta "o seu [do PSD] espaço não estará representado".

Cotrim (também) não recomendará ninguém

O objetivo de chegar à segunda volta não foi alcançado mas João Cotrim de Figueiredo destacou a "extraordinária campanha, que fez história".

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Na segunda volta, disse, os portugueses terão em mãos uma "péssima escolha" mas, prevendo que o próximo Presidente seja "oriundo do PS", Cotrim avisou que "tal ficará a dever-se a um erro estratégico da liderança do PSD" porque "Luís Montenegro não esteve à altura do legado de Francisco Sá Carneiro".

Gouveia e Melo mantém defesa da despartidarização

Outros dos derrotados, Henrique Gouveia e Melo assumiu que os resultados ficaram aquém do esperado, destacando que continuará a acreditar na necessidade de despartidarizar a Presidência da República.

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O almirante na reserva reiterou, esta noite, que se candidatou pela "convicção" de que a Presidência da República pode ser um "espaço de união e não de divisão". Quanto à segunda volta, para já, nada adiantou.

"Dúvidas" é o que António Filipe não tem

Saiu derrotado mas deixou claro o rumo a seguir dia 8 de fevereiro. O seu resultado ficou "aquém do que o país precisa" e, por isso, António Filipe não hesitou em apelar ao voto em António José Seguro na segunda volta para derrotar os "propósitos reacionários" de André Ventura.

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António Filipe alcançou 1,64% dos votos e ficou em sétimo lugar nestas eleições presidenciais, obtendo o pior resultado desde 1976 para um candidato apoiado pelo PCP.

Os dois possíveis ficaram para o fim

Passagem à segunda volta é a maior honra da vida de Ventura

A noite já ia longa quando António José Seguro e André Ventura reagiram aos resultados eleitorais. Em plena festa, Ventura destacou que os resultados das eleições presidenciais mostram que o Chega "lidera a direita".

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Agora, a passagem à segunda volta é a "maior honra" da vida de Ventura e o adversário Seguro representa o regresso da "tralha" de Sócrates. O ataque começou....

"Sem amarras", Seguro diz que venceu a democracia

Num ambiente de grande festa nas Caldas da Rainha, o teleponto estava pronto para o discurso do vencedor da noite: António José Seguro.

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O candidato apoiado pelo Partido Socialista convidou todos "os democratas, progressistas e humanistas" a juntarem-se à sua candidatura para que, na segunda volta, unidos, se derrote "os extremismos e quem semeia ódio".

"Esta não é uma candidatura partidária, é a casa de todos os democratas, que se unem para preservar o fundamental. Unidos vamos derrotar o extremismo"

Abstenção, a derrotada (e ainda bem)

A taxa de abstenção situou-se nos 38,50%. Em 2021, nas últimas eleições presidenciais estabeleceu-se nos 60,76%, a maior de sempre, tendo contribuído para este aumento a covid-19 e o recenseamento automático dos portugueses no estrangeiro.

Portugal entra, assim, na segunda e decisiva fase da corrida a Belém, agora a dois. António José Seguro e André Ventura a preparam-se para disputar uma segunda volta histórica, marcada por expectativas elevadas, análises políticas e apelos à participação democrática. Que venham mais duas semanas de campanha...