Paulo Rangel recordou esta terça-feira Francisco Pinto Balsemão como "um dos grandes vultos da política e da sociedade portuguesa dos últimos 60 anos", sublinhando o papel determinante que teve na transição democrática, no jornalismo livre e na inovação dos media em Portugal.
"Em primeiro lugar, queria transmitir à família, em particular à Mercedes Balsemão, aos filhos e aos netos, o meu pesar", afirmou o Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Em declarações aos jornalistas, Paulo Rangel partilhou memórias de proximidade com Francisco Pinto Balsemão.
"Era um grande amigo, especialmente nestes últimos anos. Mesmo durante a pandemia, mantivemos encontros semanais, que muitas vezes aconteciam de forma digital", recordou.
Para o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Francisco Pinto Balsemão teve um papel essencial na construção da democracia.
"Estamos a falar de alguém que esteve do lado da oposição ao antigo regime. Fez-se ouvir como jornalista e como deputado, sempre com uma voz lúcida", referiu.
Paulo Rangel recordou ainda o marco que representou a fundação do semanário Expresso, em 1973, que considera "o prenúncio da sociedade democrática que viria" e a criação da SIC, a primeira televisão privada em Portugal.
"Foi o homem da televisão livre. Um cidadão com intervenção cívica não apenas como político, mas também como jornalista", afirmou.
Sobre a ligação política de Balsemão ao Partido Social Democrata, Paulo Rangel destacou o facto de ter sido o militante n.º 1 do PPD e um dos mais próximos colaboradores de Francisco Sá Carneiro.
"Fundou o PPD, que viria a ser o PSD, e foi um colaborador direto de Sá Carneiro, a ponto de o partido o escolher para primeiro-ministro após a sua morte", relembrou.
Durante as declarações, o Ministro dos Negócios Estrangeiros fez ainda questão de sublinhar duas características que, no seu entender, definem Francisco Pinto Balsemão: a frontalidade e a paixão pela inovação.
"Tinha o condão de dizer a toda a gente aquilo que pensava. E era profundamente interessado pela modernidade. Era fascinante ouvi-lo falar sobre o futuro dos media, sobre inteligência artificial, sobre o digital", disse.
"Era um homem profundamente invulgar. Um homem livre. Representava a liberdade. Foi, de facto, alguém que mudou Portugal", acrescentou.
Francisco Pinto Balsemão morreu esta terça-feira, aos 88 anos.
