Francisco Pinto Balsemão

Liberdade, inovação, paixão pelo jornalismo e tecnologia: o legado de Pinto Balsemão, o homem que "queria interagir com robôs"

Daniel Cruzeiro, diretor executivo da SIC, e Joana Beleza, coordenadora de podcasts da Impresa, partilharam memórias e histórias marcantes com Francisco Pinto Balsemão, um “verdadeiro camarada apaixonado pelo jornalismo, pela ética e pela tecnologia”, que combateu a censura, desafiou o regime e lançou inovações no jornalismo e no entretenimento.

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Para Daniel Cruzeiro, sintetizar a vida de Francisco Pinto Balsemão, é uma tarefa "muito difícil", mas se pudesse fazê-lo em poucas palavras, diria que se tratou de “um histórico defensor da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão”.

O diretor executivo da SIC recorda que Balsemão combateu a censura e foi um dos promotores de uma lei de imprensa "verdadeiramente inovadora", apresentada em conjunto com Francisco Sá Carneiro.

“Depois editou um livro, que é leitura obrigatória para estudantes de comunicação social, chamado Informar ou Depender,” acrescenta.

Este combate pela liberdade e o espírito pioneiro acompanharam toda a sua carreira, desde a rutura com o regime até à fundação do jornal Expresso, que revolucionou o panorama mediático português.

Outro traço marcante, destaca Daniel Cruzeiro, é a inovação:

“Estava presente em todos os projetos jornalísticos em que se envolveu: no Diário Popular, no Expresso, e mais tarde na SIC, na SIC Notícias e na plataforma de streaming OPTO. Até nos seus últimos anos, Pinto Balsemão mostrava interesse pela inteligência artificial, pelos podcasts e por tudo o que fosse inovação tecnológica", recorda.

Joana Beleza, coordenadora de podcasts da Impresa, trabalhou diretamente com Balsemão na área dos podcasts. Recorda-o como um "verdadeiro camarada" e uma fonte de aprendizagem.

“Comecei a trabalhar com [Francisco Pinto Balsemão] quando ele tinha 83 anos, em 2021, e em 2022 lançámos um podcast", começa por dizer, admitindo que nunca viu "um jornalista tão dedicado à pesquisa", destaca Joana Beleza.

A coordenadora de podcasts sublinha o interesse do ex-primeiro-ministro e fundador do Expresso e da SIC pela Inteligência Artificial, porque além de "apaixonado pelo jornalismo, pela ética, pela deontologia, [era também um apaixonado] pela tecnologia".

Para Balsemão, o essencial era a inteligência humana, o que fazia dele um "visionário", afirma Joana Beleza.

“Era o jornalista mais inteligente e pertinente que conheci. Queria interagir com robôs, queria que a tecnologia nos ajudasse a sermos melhores jornalistas e a fazermos melhor jornalismo. Era, sem dúvida, um homem deste tempo, nunca ficou preso ao passado.”

Francisco Pinto Balsemão morreu, esta terça-feira, aos 88 anos. Foi fundador, em 1973, do semanário o Expresso, ainda durante a ditadura, da SIC, primeira televisão privada em Portugal, em 1992, e do grupo de comunicação social Impresa.

Em 1974, após o 25 de Abril, fundou, com Francisco Sá Carneiro e Magalhães Mota, o Partido Popular Democrático (PPD), mais tarde Partido Social Democrata PSD. Chefiou dois governos depois da morte de Sá Carneiro, entre 1981 e 1983, e foi, até agora, membro do Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República.