George Floyd

Jovem negro torturado e morto por homem com suástica tatuada. Polícia nega crime de ódio racial

PELLE RINK

Caso aconteceu na Dinamarca na semana passada. Pouco se ouviu falar do nome Phillip Mbuji Johansen que, aos 28 anos, foi torturado durante horas por dois homens com alegadas ligações à extrema-direita.

Um jovem negro foi torturado e morto numa ilha na Dinamarca, na passada segunda-feira, por dois homens com alegadas ligações à extrema-direita. Porém, as autoridades dinamarquesas não quiseram classificar o homicídio como um crime de ódio racial.

Phillip Mbuji Johansen, estudante de engenharia de 28 anos, foi à ilha de Bornholm visitar a mãe, na semana passada. Em declarações ao jornal local Ekstra Bladet, a mãe - que pediu anonimato - explicou que Johansen tinha sido convidado para beber uma cerveja num acampamento na floresta.

O jovem não voltou a casa e, na manhã seguinte, o corpo foi encontrado. De acordo com as autoridades citadas pelo The New York Times, os agressores partiram-lhe o crânio depois de o terem espancado várias vezes com uma tábua de madeira e de o terem esfaqueado.

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Dois irmãos, com idades entre os 23 e 25 anos, foram detidos pelo crime com contornos macabros. A polícia revelou que os homens admitem ter espancado Johansen, mas negam tê-lo matado. Um deles tem uma suástica tatuada na perna, acompanhada com as palavras "Poder Branco".

Todos estes fatores levaram vários ativistas a questionarem o facto de o juiz não classificar o homícidio como um crime de ódio racial. Em sua defesa, o procurador encarregue pelo caso disse que na origem do crime esteve um desentendimento, argumentando que a vítima e um dos agressores se conheciam - uma informação confirmada pela mãe de Johansen.

Contudo, existem evidências que podem reforçar a tese de crime racial. Algumas agências de notícias dinamarquesas noticiaram que o pescoço do jovem foi pressionado por um joelho, tal como aconteceu com George Floyd, um afro-americano morto pela polícia dos Estados Unidos.

Segundo o jornal norte-americano, as autoridades locais estão a tentar negar qualquer conexão com outros casos. Daniel Villaindulu, um amigo íntimo da família, não aceita que a polícia trate o caso como apenas um homicídio, ressalvando que o amigo foi "torturado por horas" por pessoas com uma suástica tatuada.

A Dinamarca adotou um estatuto de crimes de ódio em 2004, que em nada adiantou neste caso. De acordo com um relatório da União Europeia de 2018, os crimes motivados por ódio racial mais do que quadriplicaram entre 2007 e 2016 naquele país.