No Instagram do ministro da Presidência foi publicado um curto vídeo, com música dramática de fundo, onde se vê António Leitão Amaro reunido em constantes chamadas, como quem se esforça por mostrar que não está parado, enquanto parte do país enfrenta uma situação verdadeiramente dramática.
O vídeo gerou várias críticas, com o ministro Leitão Amaro a ser acusado de criar um conteúdo promocional na sequência de uma tragédia que causou vítimas mortais, deixou milhares de pessoas sem eletricidade e água, e provocou milhões de euros em prejuízos.
Um dos críticos foi o comentador da SIC Pedro Marques Lopes, que no último episódio do programa Eixo do Mal disse ter ficado "chocado" com o vídeo.
Horas depois de ter sido publicado, o vídeo foi apagado das redes sociais mas isso não livrou o ministro de continuar a ser alvo de críticas, pelo contrário.
Mas quando foi divulgado, já o primeiro-ministro tinha ido ao terreno, nos distritos de Leiria e Coimbra, verificar a dimensão dos danos. Anúncio de apoios concretos ainda não houve, nem quando horas mais tarde o ministro da Presidência veio à SIC Notícias falar ao país.
Ministro diz que vídeo "não devia ter sido publicado"
Questionado pelos jornalistas, o ministro da Presidência afirmou que o vídeo não devia ter sido publicado e foi retirado por ter sido mal interpretado, uma vez que apenas criou "ruído e sentimentos de incompreensão".
PS critica demora na reação do Governo
O governo tem sido alvo de muitas críticas dos autarcas, desesperados pela falta de meios e pelas decisões impossíveis com que têm sido confrontados.
Também Santana Lopes, da Figueira da Foz, disse que ninguém do governo o contactou nas primeiras horas, só o autarca de Cascais e o candidato presidencial António José Seguro.
O Partido Socialista (PS) insiste que a declaração da situação de calamidade foi tardia e defende que faltou também acionar o Plano Nacional de Emergência e Proteção Civil logo na quarta-feira.
Esta sexta-feira, os concelhos mais afetados pela tempestade recebem as visitas de quatro ministros: da Presidência, do Ambiente, da Cultura e da Economia, e ainda da secretária de Estado da Saúde.
A ministra da Administração Interna ainda não foi ao terreno, tendo sido vista há dois dias na Proteção Civil, ao lado do primeiro-ministro.
[Artigo atualizado às 16:00]

