Guerra no Médio Oriente

Milhares de pessoas protestam em Lisboa e Porto pela libertação de portugueses detidos por Israel

Os protestos, organizados pelo movimento de solidariedade com a Palestina, incluíram pedidos de sanções contra Israel e o fim do cerco na Palestina. Os manifestantes bloquearam o trânsito em várias zonas do Porto, prolongando o protesto até à noite.

Milhares de manifestantes marcaram esta quinta-feira presença num protesto, em Lisboa e no Porto, para exigir a libertação dos cidadãos portugueses detidos na quarta-feira por Israel, em embarcações com ajuda humanitária da Flotilha Global Sumud.

No protesto, organizado pelo movimento de solidariedade com a Palestina, que começou às 18:00 em frente à Embaixada de Israel, estiveram presentes adultos, jovens e crianças que exibiam a bandeira da Palestina e o lenço simbólico palestiniano Keffiyeh.

Muitos deles seguravam cartazes com frases de ordem a exigir a "Liberdade para a flotilha", "Sanções para Israel" e o " Fim do Cerco na Palestina".

As forças israelitas intercetaram entre a noite de quarta-feira e a manhã de hoje a Flotilha Global Sumud, com cerca de 50 embarcações, que se dirigia à Faixa de Gaza para entregar ajuda humanitária, detendo os participantes, incluindo quatro cidadãos portugueses: a líder do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício e os ativistas Miguel Duarte e Diogo Chaves.

RODRIGO ANTUNES

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse esperar que os cidadãos portugueses possam regressar ao país "sem nenhum incidente", considerando que a mensagem da flotilha humanitária foi transmitida.

À Lusa, a porta-voz do movimento de solidariedade com a Palestina, Sandra Machado, disse que os protestos são importantes para "exigir ao Governo que coloque sanções a Israel", para pressionar o "Estado genocida [Israel]" e o executivo português a demonstrar solidariedade para com o povo palestiniano.

"(Os protestos servem) para chamar à responsabilidade o nosso Governo, o português agora em particular, claro porque é uma vergonha o que está a acontecer, é inconcebível como é que chegámos a este ponto sem nunca terem sido tomadas medidas que de facto pressionassem Israel a cumprir o direito internacional e a terminar este genocídio", afirmou Sandra Machado.

Trânsito cortado no Porto

Já na cidade do Porto, os manifestantes pró-Palestina, que já haviam cortado por duas horas o trânsito automóvel na Praça D. João I, bloquearam parcialmente a Avenida dos Aliados, no Porto, pelas 22:30, prosseguindo o protesto.

Pouco depois de terem bloqueado o trânsito na praça em frente ao Teatro Municipal Rivoli, entre as 20:00 e as 22:10, dezenas de manifestantes que se mantiveram na rua seguiram para os Aliados, onde bloquearam um dos sentidos da avenida, primeiro, e depois o outro, no cruzamento com a Rua Elísio de Melo, onde se encontram.

Na praça, ouviram-se cânticos com frases como "Viva a luta do povo palestino, Israel é um Estado assassino" e palavras de ordem como "Palestina Livre" e "Parem o genocídio", que prosseguiram nos Aliados.

ESTELA SILVA

Por entre os cerca de mil manifestantes presentes na Praça D. João I podem ver-se dezenas de bandeiras da Palestina e cartazes que reivindicam liberdade para os integrantes dos barcos intercetados da Flotilha Global Sumud, entre os quais se encontram Mariana Mortágua e Sofia Aparício.

Após cortarem o trânsito, os manifestantes iniciaram, de forma espontânea, uma marcha de alguns metros pela Rua de Passos Manuel, tento parado nos primeiros semáforos, onde continuam a impedir a circulação rodoviária.

Antes, um condutor tinha saído do carro para confrontar os manifestantes, o que levou à intervenção de agentes da Polícia de Segurança Pública que acompanhavam a ação, com uma manifestante a queixar-se de ter sido agredida por um dos oficiais.


Com LUSA