Há um quarto português a integrar a flotilha, que seguia num dos barcos para Gaza. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, diz que está em permanente contacto com as autoridades israelitas para salvaguardar o regresso dos ativistas portugueses. Para Carlos Mendes Dias, a operação da Marinha israelita já era previsível.
O comentador da SIC considera que a flotilha internacional, composta por cerca de 50 embarcações e 500 pessoas, entre as quais quatro cidadãos portugueses, não tinha reais condições para cumprir o alegado objetivo humanitário de levar ajuda à Faixa de Gaza.
“Antes de partir, já se sabia o que ia acontecer. Já havia vídeos pré-gravados sobre a interceção e até a reação política e mediática que se seguiria”, afirmou, sublinhando que a ação “foi preparada para criar impacto e protesto”, mais do que para entregar bens de primeira necessidade.
A flotilha foi interceptada a 120 quilómetros da costa por cerca de 20 navios da Armada israelita. Entre os portugueses a bordo encontravam-se Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, Miguel Duarte, e outros dois cidadãos portugueses.
Para o coronel Mendes Dias, embora a causa dos direitos humanos seja legítima, “não podemos ser ingénuos quanto às ligações de várias destas organizações a movimentos radicais e até a grupos com histórico de terrorismo”.
Ainda assim, defende que o ativismo tem valor histórico e político: “O ativismo muitas vezes fez a diferença. Estou a favor do ativismo 100%, mas esta flotilha não é isso. A flotilha foi brincar com a fome dos outros, quem sofre é quem lá está”.
O analista militar lembra que Israel ofereceu a possibilidade de descarregar a ajuda no Chipre, numa operação controlada, mas a proposta não foi aceite pelos organizadores. “Havia uma lógica programada: a interceção, a detenção, a reação política, as manifestações. Tudo isto já fazia parte do guião”, reforçou.
Este é um dos temas em análise pelo coronel Carlos Mendes Dias no habitual explicador do Jornal do Dia, com início por volta das 13:45.

