A maior parte dos que seguiam na flotilha humanitária para Gaza continua detida numa prisão a sul de Israel. Quatro deputados italianos, entretanto, já foram repatriados.
A embaixadora de Portugal em Telavive já visitou os quatro portugueses detidos. Todos aceitaram ser deportados de imediato. Israel garantiu que os quatro serão colocados nos primeiros voos disponíveis com destino à Europa.
Os quatro portugueses que seguiam na flotilha humanitária para Gaza e que foram levados contra a sua vontade para um centro de detenção em Israel estão bem de saúde, apesar das condições difíceis e duras.
Escassez de comida, água potável
Não foram, até agora, sujeitos a violência física, mas enfrentam a escassez de comida, água potável e condições adequadas para descansar.
Esta é a informação que a SIC conseguiu reunir durante a tarde desta sexta-feira, mais de 24 horas depois de Mariana Mortágua, Sofia Aparício, Miguel Duarte e Diogo Chaves terem sido forçados a abandonar a missão de apoio à resistência na Faixa de Gaza.
A embaixada de Portugal em Israel terá apresentado um protesto contra as más condições a que estão sujeitos os detidos portugueses. Os quatro aceitaram ser deportados voluntariamente e de imediato.
A promessa de Israel é que irão embarcar num dos primeiros voos para a Europa. Caso tivessem recusado o processo, a deportação seria mais demorada, uma vez que teria de ser ordenada por um tribunal israelita. No entanto, neste momento, Israel celebra o Yom Kippur, o que significa que parte dos serviços estão encerrados.
Outros quatro deputados italianos já foram deportados. A última embarcação da flotilha que ainda navegava foi intercetada nas primeiras horas desta sexta-feira, a menos de 100 quilómetros da Faixa de Gaza.
A embarcação, com bandeira polaca, transportava seis tripulantes, que provavelmente foram encaminhados para a prisão onde estão os restantes ativistas, no sul de Israel.
Ben Gvir chama "terroristas" a ativistas
Estes últimos resistentes não estavam no porto de Ashdod quando o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, passou pelo local para classificar os ativistas de "terroristas".
De vários pontos do mundo chegam imagens de quem, ao contrário de Ben Gvir, acredita na importância de tentar chegar à Faixa de Gaza com o máximo de ajuda possível. Em Itália, esta sexta-feira foi marcada por uma greve geral em solidariedade com o povo palestiniano.
Nas últimas horas, ocorreram protestos no Brasil, Espanha, França, Grécia, Turquia, Portugal e até em Israel. Homens e mulheres israelitas foram até o mais próximo possível da fronteira com a Faixa de Gaza, mostrando que nada apaga a luz que vive no pensamento de quem é livre como o vento.

