Guerra no Médio Oriente

"Estou bem, mas não nos trataram bem": Mariana Mortágua escreve mensagem à mãe

Em entrevista ao Jornal do Dia, na SIC Notícias, Joana Mortágua denunciou a violação das garantias diplomáticas dadas por Israel ao governo português e revelou as condições precárias em que se encontram os detidos que participavam na flotilha humanitária com destino a Gaza. Durante a entrevista, divulgou uma mensagem que a irmã, Mariana Mortágua, enviou à mãe através do consulado português.

Loading...

Foi divulgado um vídeo no qual o ministro israelita Itamar Ben-Gvir acusa e humilha os ativistas da flotilha humanitária detidos, ainda no porto de Ashdod, no sul de Telavive. No vídeo, o ministro chega a classificá-los como terroristas.

Em entrevista ao Jornal do Dia, na SIC Notícias, Joana Mortágua condenou veementemente a situação e denunciou a quebra das garantias dadas por Israel ao governo português quanto ao tratamento digno dos detidos.

"Esta é a primeira prova de que a garantia de Israel ao governo português — de que os membros da flotilha detidos ilegalmente seriam tratados com dignidade e que os seus direitos individuais seriam respeitados — não tem qualquer valor", afirmou Joana Mortágua.
"Os membros da flotilha foram exibidos para que um ministro, um dos mais fanáticos do governo de Israel, pudesse fazer um vídeo de propaganda enquanto os insulta, tratando-os como se fossem animais de circo", acrescentou, criticando a exposição pública dos ativistas.

Sobre as condições dos detidos, Joana Mortágua explicou que não há contacto direto com eles, e descreveu as condições em que se encontram:

"Foram expostos naquela situação degradante no porto e, posteriormente, transportados para uma prisão no deserto, onde a diplomacia portuguesa nos disse que as condições são caóticas"

"Mãe, estou bem, mas não nos trataram bem"

Durante a entrevista, Joana Mortágua revelou uma mensagem enviada pela sua mãe, depois de contactada pelo consulado português:

"Acabou de me ligar o cônsul de Portugal em Israel. Eles estiveram com a Mariana. Ela está bem psicologicamente e fisicamente, com a força de sempre, mas pediu que ele me lesse uma mensagem: 'Mãe, estou bem, mas não nos trataram bem. Ficámos sem comida nem água durante 48 horas. Convoquem uma manifestação, contactem a Joana e o Bloco de Esquerda.' O cônsul informou que ela está numa cela com 12 pessoas, e que a embaixadora já fez ou planeia fazer protestos."

Garantindo que nem sequer sabe se a irmã, Mariana Mortágua, tem noção há quantas horas está detida, Joana frisou que nada é possível assumir como certo, mas recordou que "Israel não é conhecido por respeitar os direitos humanos nas prisões." Além disso, chamou a atenção para o facto de que o relato de Mariana coincide com o da embaixadora que visitou os detidos esta sexta-feira.

"O relato que temos da Mariana é este, e ele é coincidente com o da embaixadora, que confirma a falta de acesso a água potável, a escassez de comida e a ausência de condições para repouso", disse.

Até ao momento, não há informação oficial sobre o repatriamento dos quatro portugueses detidos. Segundo Joana Mortágua, "a informação que temos é que Israel está num período de feriados religiosos, o que pode atrasar o repatriamento, mas estão a ser feitos esforços diplomáticos para acelerar o processo."

"O humor tem limites"

Desde a detenção, Mariana Mortágua tem sido alvo de duras críticas por ter participado na flotilha, e foi até criada uma petição para que o governo israelita mantenha a deputada detida. Em resposta, a Joana Mortágua resumiu a sua reação citando Manuel Luís Goucha: "O humor tem limites."