Milhares de pessoas continuam a regressar ao norte da Faixa de Gaza, desde que, esta sexta-feira, entrou em vigor o cessar-fogo entre Israel e o grupo islamita Hamas.
Após a retirada das tropas para a chamada "linha amarela" — nome dado em homenagem à cor do mapa fornecido pela Casa Branca no momento do anúncio do acordo — milhares de habitantes do enclave começaram a deslocar-se para norte, em direção à Cidade de Gaza, ao longo da estrada costeira de Al-Rashid.
Imagens que continuam a chegar de Gaza, através de agência internacionais, mostram filas contínuas de pessoas a dirigirem-se para a parte norte do território, apesar do alerta do Exército israelita para o facto de várias áreas permanecerem ainda "extremamente perigosas" para a população civil.
“É um sentimento indescritível, a minha filha tem uma fratura no crânio mas, de deus quiser, será o fim do nosso sofrimento. Estamos muito, muito felizes que a guerra tenha acabado”, conta uma mulher palestiniana.
A partir da entrada em vigor do acordo, o Hamas tem 72 horas para entregar os 48 reféns que mantém em cativeiro, dos quais Israel estima que apenas cerca de 20 ainda estejam vivos.
Milhares de mortos sob os escombros
O cessar-fogo permite também balanços. O Ministério da Saúde de Gaza avança, este sábado, com a estimativa de que ainda haja pelo menos 7.000 corpos de pessoas mortas sob os escombros no enclave, dos quais 3.600 foram dados como desaparecidos pelas famílias.
Segundo o diretor da unidade do Ministério da Saúde de Gaza responsável pelo registo de mortos, Zaher al-Waheidi, citado pela agência de notícias espanhola EFE, calcula-se que a grande maioria dessas 3.600 pessoas dadas como desaparecidas correspondam a vítimas mortais cujos corpos ainda não foram recuperados.
Além destas pessoas, al-Waheidi indicou que existe pelo menos um número semelhante de mortos que não foram dados como desaparecidos.
Tal deve-se, explicou, ao facto de a ofensiva israelita em Gaza ter provocado a morte de famílias inteiras, não restando ninguém para apresentar queixas ou registar os desaparecimentos.
Segundo números fornecidos pelo Governo de Gaza, mais de 2.700 famílias da Faixa, com um total superior a 8.500 pessoas, foram apagadas do registo civil e não resta hoje nenhum membro vivo.
Al-Waheidi acrescentou que nas morgues dos hospitais de Gaza permanecem 600 corpos recuperados dos escombros e das ruas bombardeadas do enclave palestiniano que ainda não foram possíveis identificar.
Com o cessar-fogo em vigor desde sexta-feira e a deslocação das tropas israelitas para uma primeira linha de retirada, os serviços de resgate de Gaza concentram agora os esforços na recuperação de corpos em zonas anteriormente inacessíveis devido à presença do Exército israelita.
Só na sexta-feira, as equipas da Defesa Civil recuperaram 99 corpos em diferentes áreas da Faixa de Gaza.
Além disso, há cadáveres sepultados sob montes de escombros que não poderão ser retirados até que haja maquinaria disponível, uma vez que, neste momento, as equipas de resgate não dispõem de meios suficientes para realizar essas operações.

