Guerra Rússia-Ucrânia

Estratégia ucraniana passa por "criar o caos dentro das forças russas"

Estratégia ucraniana passa por "criar o caos dentro das forças russas"
Sergei Kholodilin
Um dos principais conselheiros de Zelensky aborda a contraofensiva ucraniana, sem reivindicar os ataques dos últimos dias na Crimeia.

Após cerca de seis meses de guerra, a Ucrânia está empenhada em reforçar a contraofensiva e criar "o caos dentro das forças russas", canalizando ataques destinados a linhas de abastecimento, em territórios ocupados. A informação foi divulgada por um dos principais conselheiros do Presidente Zelensky.

Numa entrevista ao The Guardian, Mykhailo Podolyak adianta que poderão ser realizados mais ataques à semelhança daqueles que ocorreram na Crimeia, nos últimos dias.

Na terça-feira, um depósito de munições russo foi alvo de um ataque no distrito de Dzhankoi, na Crimeia, um incidente que levou Moscovo a admitir um "ato de sabotagem". A Ucrânia não reivindicou os ataques, mas Mykhailo Podolyak descreve o ataque como um exemplo de "desmilitarização em ação".

Na semana passada, várias explosões na base aérea de Novofedorivka, na Crimeia, terão causado danos extensos e destruído vários aviões russos. Sobre este ataque, a Rússia falou num "acidente".

O conselheiro de Zelensky sugeriu que o ataque à base aérea da semana passada poderia ter sido obra de "guerrilheiros", mas descartou qualquer sugestão de que poderia ter sido um acidente, como Moscovo descreveu.

A partir de Kiev, Podolyak disse que a estratégia passa agora por "destruir a logística, as linhas de abastecimento e os depósitos de munições e outros objetos de infraestrutura militar russos. É criar um caos dentro das suas próprias forças".

As observações do conselheiro de Zelensky podem ser interpretadas como um reconhecimento de que a Ucrânia está a lutar para acumular uma quantidade de recursos necessária para sustentar uma contraofensiva completa no sul do país, que normalmente exige uma superioridade de três ou mais soldados para um.

Auxiliados pelo Ocidente com mísseis de longo alcance, Podolyak acrescenta que a Ucrânia espera degradar a força invasora através da "falta de suprimentos e falta de munição" que "fará os russos lutarem como fizeram nos primeiros meses da guerra".

Durante a entrevista ao jornal britânico, o conselheiro elogiou o papel do Reino Unido no apoio à Ucrânia, que, em alguns aspetos, excedeu o dos EUA, e disse esperar que o forte auxílio continue depois de Boris Johnson abandonar o cargo.

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