Guerra Rússia-Ucrânia

"Putin está a tentar desesperadamente encontrar aliados sabe-se lá onde"

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O comentador da SIC Germano Almeida considera que Putin está a adotar um "discurso de negação e de total inversão da realidade".

O Presidente russo voltou, esta sexta-feira, a falar ao país, durante a cerimónia de assinatura dos tratados de anexação de quatro regiões ucranianas. O comentador da SIC reconhece que o tom de Putin está a tornar-se mais agressivo, mas o líder russo também revela algum desespero na busca por recuperar apoios, nomeadamente da Índia e China.

“Há uma escalada na agressividade. [O discurso de hoje] é de negação, de total inversão da realidade, em que Putin fala que o ditador, o opressor é o Ocidente. Fala numa hegemonia em queda do Ocidente e, se os dados mostram que há um certo declínio da hegemonia americana e ocidental, mostram também que Putin exagerou na análise, ou seja, que confiou demasiado nisso e está agora a tentar negá-lo".

Mas há quatro ideias que Germano Almeida quis destacar na análise ao discurso do Presidente da Rússia. A primeira é a de “quase total retirada da possibilidade de algum tipo de acordo de paz”.

“A partir do momento em que diz que as quatro regiões são da Rússia e isso é inegociável, acaba por dizer que 15% de território que é ucraniano é seu. [Pelo que] não vejo como nos próximos tempos largos possa haver algum tipo de negociação”

Além disso, e ao mesmo tempo que há um “certo regresso à ideia de uma nova Rússia e que a União Soviética é passado, Putin também diz que o espaço soviético deve-se unir perante a ameaça do Ocidente”.

“[Putin] diaboliza os EUA, são o bode expiatório que tenta encontrar para fugir em frente”, e a acusação de que os EUA são os responsáveis pelas fugas no gasodutos Nord Stream é “uma alucinação completa”. Assim como, acrescenta Germano Almeida, é a ideia de que a “Nato é ameaçadora e expansionista, quando se trata de uma aliança defensiva e dissuasora, e o libertador é ele [Putin]”.

A verdade é que temos “um Putin a tentar desesperadamente encontrar aliados sabe-se lá onde. Ele percebeu e terá ficado surpreendido e assustado com isso, com o facto de a China e a Índia estão a encostá-lo à parede a dizer que tem que acabar a guerra” e seguiu a linha de diabolização da América.

O comentador da SIC salientou ainda o “discurso moral” usado pelo Presidente russo, afirmando que “a Rússia é que é civilizada e os outros não”.

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