Guerra Rússia-Ucrânia

Situação em Kharkiv "é preocupante" após retirada de tropas russas

Situação em Kharkiv "é preocupante" após retirada de tropas russas
YASUYOSHI CHIBA

O alerta é da ONU

A situação humanitária na região de Kharkiv é "preocupante", obrigando a intensos esforços de organizações para ajudar as cerca de 140.000 pessoas que ali permanecem após a saída das tropas russas, anunciou esta quinta-feira a ONU.

O Gabinete para a Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA, na sigla em inglês) informou hoje que, na cidade de Izium, "os serviços essenciais foram dizimados", deixando entre 8.000 e 9.000 pessoas dependentes de ajuda humanitária. Em Kupiansk, os bombardeamentos e os confrontos militares forçaram mais de 4.000 pessoas a permanecer na cidade em abrigos improvisados, estando agora "com acesso extremamente limitado a bens essenciais", acrescentou a agência da ONU.

As Nações Unidas estão convencidas de que cerca de 140.000 pessoas permanecem nas localidades desta região de Kharkiv que foi recentemente recuperada ao controlo russo, na região de Kharkiv, numa situação classificada como "preocupante". Várias organizações internacionais estão a tentar mobilizar ajuda humanitária para esta região, tendo iniciado já a entrega de bens essenciais, incluindo água, eletricidade e serviços médicos, mas as autoridades estão preocupadas sobre a eficácia destas manobras, perante a dimensão do problema.

Muitas cidades da região estão parcialmente destruídas

Os mercados e lojas destas cidades da região de Kharkiv "foram destruídos ou estão encerrados" e as famílias estão a tentar sobreviver através de trocas diretas em mercados improvisados nas praças principais das localidades, informou o OCHA. Os sistemas de abastecimento de água e eletricidade estão danificados ou inoperantes e são muitas as casas que já não oferecem condições de habitabilidade aos moradores, muitos dos quais preferem permanecer nos abrigos onde se protegeram dos bombardeamentos.

As autoridades ucranianas estão progressivamente a regressar a estas localidades que estiveram durante longas semanas sob controlo das forças russas e procuram agora que funcionários de organizações humanitárias consigam chegar aos locais mais afetados. Grupos de voluntários contactados pelo OCHA informaram que conseguiram fazer chegar bens essenciais a mais de 73.000 pessoas, nomeadamente alimentos e 'kits' de higiene, que foram distribuídos juntamente com utensílios domésticos e cobertores.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas -- mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,5 milhões para os países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

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