Guerra Rússia-Ucrânia

"Verdade" sobre fugas nos gasodutos "surpreenderá muita gente" na Europa, diz Kremlin

Explosões que provocaram fugas de gás nos gasodutos Nord Stream 2 no Mar Báltico.
Explosões que provocaram fugas de gás nos gasodutos Nord Stream 2 no Mar Báltico.
RITZAU SCANPIX

Porta-voz do Kremlin acusa países europeus de criarem um “muro de relutância” e volta a apelar para que a Rússia seja incluída na investigação internacional.

O Kremlin disse esta sexta-feira que os europeus ficariam "surpreendidos" se soubessem a verdade sobre as explosões na origem das fugas nos gasodutos Nord Stream 1 e 2, que transportam gás russo para a Europa.

A Rússia tem repetido apelos, ignorados pelos países ocidentais, para ser incluída na investigação internacional sobre as fugas, que ocorreram no mês passado, em plena guerra na Ucrânia e no contexto de disputas sobre a distribuição de gás entre a Rússia e a União Europeia.

Entre os países ocidentais, a Rússia é suspeita de ter sabotado os gasodutos Nord Stream, desencadeando as explosões em ambas as infraestruturas a 26 de setembro, assunto que foi abordado numa reunião de ministros da Defesa da NATO já este mês.

Esta sexta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Moscovo está a trabalhar "intensamente" para ser incluída na investigação, depois de esta semana ter dito que o Ocidente se prepara para culpar a Rússia.

"Até agora, deparámo-nos com um muro de relutância em lançar luz sobre a verdade, que certamente surpreenderá muita gente nos países europeus, se for tornada pública", denunciou Peskov.

"Nem os alemães, nem os suecos, nem os dinamarqueses compartilham informações connosco", lamentou o porta-voz da presidência russa, referindo-se aos países envolvidos na investigação internacional às fugas nos gasodutos.

Em 12 de outubro, o Presidente russo, Vladimir Putin, classificou como ato de "terrorismo internacional" as explosões que provocaram as fugas, dizendo que beneficiavam os Estados Unidos, Polónia e Ucrânia, e desafiou o Presidente norte-americano, Joe Biden, a admitir que o país fora responsável por esse ato.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, afirmou antes da recente reunião de ministros da Defesa que a Aliança "na sequência da sabotagem dos gasodutos Nord Stream reforçou ainda mais a vigilância em todos os domínios", nomeadamente "duplicando a presença nos mares Báltico e do Norte para mais de 30 navios apoiados por aeronaves de patrulha marítima e capacidades submarinas".

"Os Aliados estão também a aumentar a segurança em torno de instalações chave e a intensificar a partilha de informações", adiantou o líder da Aliança Atlântica, prometendo "novas medidas para reforçar a resiliência e proteger as infraestruturas críticas".

Os gasodutos Nord Stream estiveram no centro de uma controvérsia geopolítica, ainda antes do conflito na Ucrânia, quando Kiev e Washington se opuseram à sua construção, alegando riscos para a dependência europeia da energia russa.

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