Guerra Rússia-Ucrânia

Estados Unidos não vão enviar tanques Abrams para a Ucrânia

Estados Unidos não vão enviar tanques Abrams para a Ucrânia
INTS KALNINS/Reuters

Em causa está o abastecimento que requer combustível de aviação, enquanto que os tanques Leopard e o Challenger - blindados britânicos - são diesel e mais fáceis de manter.

O Pentágono afastou esta quinta-feira a possibilidade de envio de tanques pesados Abrams para a Ucrânia, respondendo à solicitação da Alemanha, que tem resistido a entregar viaturas blindadas Leopard 2 às forças armadas de Kiev.

Em conferência de imprensa, a subsecretária de Imprensa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, Sabrina Singh, apontou razões técnicas que diferenciam os carros de combate.

Segundo a dirigente norte-americana, o Abrams "é um tanque que requer combustível de aviação, enquanto o Leopard e o Challenger - blindados britânicos que vão para a Ucrânia - têm um motor diferente, precisam de 'diesel', são um pouco mais fáceis de manter".

Os tanques alemães e britânicos podem manobrar em "grandes faixas de território" antes de precisarem de reabastecimento.

"O alto custo de manutenção de um Abrams torna inútil fornecê-lo aos ucranianos neste momento", disse Singh.

O secretário da Defesa norte-americano, Lloyd Austin, encontra-se de visita à Alemanha, onde se reuniu esta quinta-feira com o homólogo alemão, Boris Pistorius.

O novo ministro, que tomou posse na terça-feira, em substituição de Christine Lambrecht, visada por várias polémicas, incluindo o envio dos Leopard 2, afirmou que a Alemanha vai continuar a apoiar a Ucrânia, mas não se referiu à questão dos carros de combate.

Austin tem presença prevista numa reunião do Grupo de Contacto da Ucrânia, com outros aliados, na base aérea norte-americana de Ramstein na sexta-feira e, no centro do debate, deverá estar o tema dos Leopard-2, que a Ucrânia tem vindo a solicitar.

De acordo com a imprensa alemã, o chanceler Olaf Scholz abordou o tema com o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, mas só se comprometeu com o envio dos Leopard-2 se as autoridades norte-americanas fizessem o mesmo com os tanques Abrams.

Esta quinta-feira, Sabrina Singh recordou que os Estados Unidos já forneceram tanques de guerra Bradley para Ucrânia e continuarão a enviar equipamento militar para as forças de Kiev.

Os Bradleys são tanques de batalha com blindagem mais leve e um canhão menor, normalmente de 25 mm em comparação com os Abrams de 120 mm.

Singh indicou ainda que o seu país anunciará em breve um novo pacote de ajuda militar à Ucrânia, mas não forneceu detalhes.

Pressão sob a Alemanha

A Alemanha tem estado sob forte pressão de vários dos seus aliados para fornecer a Kiev tanques Leopard-2, depois de já ter fornecido blindados do tipo Gepard (viatura alemãs de combate antiaéreo de alta tecnologia) e de se ter comprometido a enviar Marder (veículos de combate de infantaria da Alemanha, usados na Guerra Fria), enquanto na segunda-feira começou a levar baterias do sistema Patriot para a Polónia.

O Reino Unido já prometeu 14 tanques pesados Challenger 2 e 600 mísseis Brimstone e a Polónia diz estar pronta a enviar 14 tanques Leopard-2 de fabrico alemão, se Berlim permitir o seu envio para a Ucrânia.

A pressão tem vindo a aumentar para que o chanceler alemão, Olaf Scholz, dê "luz verde" para que os tanques Leopard-2, que estão ao serviço de vários exércitos da NATO, sejam libertados e enviados para solo ucraniano.

O secretário da Defesa norte-americano defendeu junto de Pistorius que "estes são tempos turbulentos para a segurança europeia e global, uma consequência da invasão russa da Ucrânia", acrescentando:

"A Alemanha tem sido uma verdadeira amiga dos Estados Unidos e defensora dos nossos aliados. Continuaremos a apoiar o povo da Ucrânia na sua resistência contra a agressão russa e na defesa do seu território".

Também Austin não se referiu à controvérsia do envio de equipamento pesado para a Ucrânia, remetendo o assunto para a reunião de sexta-feira.

"Em Ramstein, vamos encontrar-nos com os membros do Grupo de Contato sobre a Ucrânia e renovaremos o nosso apoio conjunto à sua autodefesa", acrescentou.

Os efeitos da guerra

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas -- 6,5 milhões de deslocados internos e quase oito milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Neste momento, 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento. A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 7.031 civis mortos e 11.327 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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