O Presidente Volodymyr Zelensky esteve esta manhã reunido com os enviados norte-americanos, Steve Witkoff e Jared Kushner, em Berlim. O encontro acontece depois da reunião de ontem onde as duas delegações estiveram mais de cinco horas sentados à mesa das negociações. Este é o tema central do explicador desta segunda-feira, com o coronel Carlos Mendes Dias.
O comentador da SIC analisa os contactos diplomáticos entre Kiev, Moscovo e Washington e explica por que razão os sinais de progresso continuam frágeis. Para o Coronel Carlos Mendes Dias, o otimismo anunciado após as conversações não encontra sustentação nos factos conhecidos.
"Julgo que não foram feitos muitos progressos, do que se conhece. Obviamente o otimismo é relativo, porque isto significa cedência de um lado e cedência do outro.
Se nos pusermos do lado ucraniano, obviamente que há coisas que não pode ceder, e se pusermos do lado russo, independentemente da ilegalidade e da responsabilidade, etc, da guerra, o que é um facto é que mandaram um milhão de pessoas morrer para aquilo, e portanto ceder, ceder na lógica territorial, é muito difícil", refere Mendes Dias.
Para o coronel, nem a Ucrânia nem a Rússia dispõem de verdadeira margem para ceder em matérias centrais, como o território ou as garantias de segurança.
Questões como o futuro da central nuclear de Zaporizhia, a presença de forças estrangeiras, a reconstrução económica e o destino dos ativos russos congelados continuam a bloquear um acordo. No terreno, a guerra mantém-se intensa, com avanços e recuos limitados, reforçando a ideia de que, apesar da diplomacia em movimento, a paz ainda exige compromissos politicamente muito difíceis para ambas as partes.

