Guerra Rússia-Ucrânia

Análise

“Os ucranianos não vão render-se e não vão sequer deixar que o seu Presidente se renda por eles"

Luís Ribeiro, comentador da SIC explica porque é que qualquer compromisso sobre a guerra enfrenta limites constitucionais, militares e políticos do lado ucraniano, e uma recusa previsível de Moscovo.

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A Ucrânia não tem margem política, constitucional nem militar para ceder território à Rússia, afirma Luís Ribeiro, comentador da SIC. Uma sondagem revela que 75% dos ucranianos rejeitam a cedência de território e 63% estão dispostos a continuar a guerra. 

Luís Ribeiro sublinha que o Presidente ucraniano não pode aceitar entregar zonas que a Rússia não conquistou militarmente, em particular no Donbass. 

Zelensky não pode, e já disse que não o ia fazer, não pode ceder o território que a Rússia não capturou militarmente. Aquilo é a fortaleza da Ucrânia, onde estão as infraestruturas defensivas mais sólidas da Ucrânia e, portanto, a Ucrânia não pode, nem Zelensky muito menos, pode ceder território.

Além disso, "está na Constituição ucraniana que qualquer cedência territorial teria sempre de ser referendada pelo povo. Não estão, obviamente, reunidas as condições para haver esse referendo, assim como não estão reunidas as condições para umas eleições".

Uma sondagem recente indica que 75% dos ucranianos rejeitam a cedência de território: “3 em cada 4 ucranianos são contra a cedência de território. E eu devo sublinhar que isto é o fim de 4 anos de guerra intensa sobre os ucranianos".

Quanto às garantias de segurança, Luís Ribeiro recorda o falhanço do Memorando de Budapeste, em 1994, quando a Ucrânia abdicou das armas nucleares em troca de garantias que não foram cumpridas.

"Para um país que já foi traído em 1994 com garantias de segurança (...) Zelensky e o povo ucraniano o que querem é garantir que não há uma repetição desse memorando de Budapeste. E, portanto, a única forma de garantir isso é através da ingressão na NATO".

A entrada na NATO seria a única solução sólida, mas está bloqueada politicamente. Alternativas como forças multinacionais no terreno também não são viáveis: “A Rússia nunca vai aceitar tal coisa".

Luís Ribeiro rejeita que os ucranianos queiram a paz a qualquer custo. Pelo contrário, 63% dizem estar dispostos a continuar a guerra pelo tempo que for necessário.

"Toda esta propaganda russa que diz que os ucranianos querem a paz a todo custo e querem subjugar-se ao poderio russo, não é verdade. Os ucranianos não vão render-se e não vão sequer deixar que o seu Presidente se renda por eles".