Orçamento do Estado

Coelho Lima: "Governo colocou de fora o PSD das negociações orçamentais"

O vice-presidente do Partido Social Democrata foi o convidado da Edição da Noite desta terça-feira.

O vice-presidente do Partido Social Democrata, André Coelho Lima, esteve na Edição da Noite desta terça-feira e os temas quentes da vida do partido, nomeadamente, a crise interna, e também o Orçamento do Estado para 2022.

A crise na liderança de Rui Rio e a possibilidade de outras candidaturas ao partido, em especial, de Paulo Rangel, provoca uma divisão que não é do agrado de Coelho Lima.

"A função do PSD não é gladiar-se internamente, é apresentar-se ao eleitorado como alternativa ao Partido Socialista."

Sobre se Rui Rio pode contar com o seu apoio, o vice-presidente responde que tal é "absolutamente inequívoco", referindo que possui lealdade e que, atualmente, é o número dois do líder social-democrata, sendo que defende que, quem apoiou o atual número um, "deve sentir-se satisfeito pelo que sucedeu entretanto".

"Houve eleições regionais na Madeira, toda a gente pensava que o PSD ia perder, mas ganhou. Houve eleições regionais nos Açores, ninguém achava que o PSD ia ganhar, no entanto, está a governar. Houve eleições presidenciais, onde o cidadão militante do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, foi apoiado pelo PSD, e houve as eleições autárquicas, onde os objetivos estabelecidos pela direção nacional foram todos eles ultrapassados."

Portanto, André Coelho Lima relembra que "aquilo que as últimas eleições mostraram é que houve um reforço político ao PSD", mas realça a necessidade de união dentro do partido.

"Temos muita dificuldade em nos apresentarmos como uma alternativa se, de facto, cada vez que tivermos uma vitória, logo aparece [oposição interna]", e acrescenta que "esta conturbação só beneficia o Partido Socialista, ninguém mais fica satisfeito com o que está a acontecer do que o Partido Socialista".

Sobre o artigo de Aníbal Cavaco Silva no Expresso, o atual vice-presidente do PSD refere que sentiu "nas palavras do Professor Cavaco Silva querer uma oposição exatamente ao contrário do que aquilo que pretendia quando era primeiro-ministro".

"Enquanto primeiro-ministro, o Professor Cavaco Silva pretendia uma oposição que, sendo aguerrida, sendo alternativa, afirmando-se, não deixasse de colaborar com o Governo em funções."

Assim, Coelho Lima parece defender o modelo de liderança de Rui Rio, apelando a uma capacidade de diálogo e de estabilidade no universo político.

"Por um lado, parece que tudo nos empurra no sentido de um crescente divisionismo, por outro lado, eu não tenho muitas dúvidas, para não dizer certezas, de que não é isto que o cidadão pretende dos partidos políticos. Pretende que os partidos se formem como alternativa, de uma forma responsável e equilibrada, e que também permitam que quem governe, governe, e que quem faz oposição, faça oposição"

Rio que, mais uma vez, o vice-presidente elogia, referindo que possui "resiliência e, sobretudo, é um homem que sabe o que quer, não só para o partido, como para o país".

Relativamente ao Orçamento do Estado, André Coelho Lima não avança já se o PSD irá votar contra o documento "tendo o Orçamento sido entregue ontem".

"Aquilo que lhe posso dizer é que o Governo colocou de fora o PSD das negociações orçamentais."

Caso o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português votem contra o Orçamento, Coelho Lima pergunta se "será este momento que está a viver o PSD bom para o PSD".

"Claramente que o PSD, com toda a legitimidade de quem queira ser alternativa, deveria ter a tranquilidade de perceber os momentos, e agora estamos num momento em que pode até não haver Orçamento do Estado, e se não houver, tudo isto muda."

Por fim, termina com um ataque ao Partido Socialista e a António Costa, referindo que "quem colocou o PSD e os seus deputados numa posição maniqueísta foi o primeiro-ministro".

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