Orçamento do Estado

Bloco de Esquerda anuncia voto contra o Orçamento do Estado para 2022

MANUEL DE ALMEIDA

BE votará contra se até quarta-feira o Governo "insistir em impor recusas".

A Mesa Nacional do Bloco de Esquerda aprovou, este domingo, o voto contra o Orçamento do Estado para 2022, mas Catarina Martins deixa em aberto as negociações até quarta-feira, dia da votação na generalidade.

Catarina Martins avisa que o partido votará contra se até quarta-feira "o Governo insistir em impor recusas onde a esquerda podia ter avanços".

A resolução do BE que propôs chumbo apenas teve um voto contra em 80.

"Se até á próxima quarta-feira o Governo entender negociar o Orçamento do Estado, o Bloco de Esquerda responderá com disponibilidade e clareza para as soluções que aumentam os salários, que protegem o SNS e que garantem justiça para quem trabalhou toda a vida. Se o Governo insistir em impor recusas onde a esquerda podia ter avanços, o Bloco de Esquerda responderá pela sua gente -- pelo povo que trabalha e pelo SNS que nos orgulha -- e votará contra o Orçamento do Estado para 2022", avisou.

Na perspetiva da líder do BE, não há "muito tempo, mas ainda há tempo".

"A chave de um orçamento que responda ao país, e de uma maioria parlamentar que aprove o orçamento, está, como sempre tem estado, na disponibilidade do Governo e do PS para um caminho negocial à esquerda", enfatizou.

PCP TEM DITO QUE HÁ POSSIBILIDADE DE ALTERAR SENTIDO DE VOTO MEDIANTE CEDÊNCIAS

Quanto ao PCP, anunciou pela primeira vez, desde o entendimento à esquerda feito há seis anos, o voto contra na generalidade, no caso de a proposta ser votada tal como foi entregue.

Contudo, o partido tem dito ao longo das últimas semanas que ainda há possibilidade de alterar o sentido de voto, mediante cedências que respondam aos problemas do país, e referindo-se a "resistência" do Governo no acolhimento de propostas dos comunistas.

À Lusa, o líder parlamentar, João Oliveira, explicou na quinta-feira que a posição do PCP este ano foi condizente com a atitude do Governo nos momentos negociais, considerando que o executivo não demonstrou a disponibilidade de anos anteriores.

Também na quinta-feira, o editorial do jornal oficial dos comunistas, Avante!, assegurava que o "PCP não procura pretextos para votar contra o OE" mas "não prescinde é de garantir a resposta de que o país precisa para enfrentar os problemas que marcam a vida dos trabalhadores e do povo".

Na sexta-feira à noite, no Expresso da Meia-Noite, na SIC Notícias, António Filipe, do PCP, dava sinais de que as propostas não chegam. O deputado poderá ter antecipado um "game over" ao Orçamento do Estado para 2022, partilhando que os comunistas sentem "bloqueio" e "chantagem" dos socialistas, considerando um "exagero" tratar as negociações entre os partidos como negociações.

Salário mínimo, pensões e creches: as cedências do Governo à Esquerda

O primeiro-ministro anunciou na sexta-feira à noite, na Comissão Política do PS, um conjunto de medidas para acrescentar à proposta do Orçamento do Estado para 2022.

Entre as cedências à Esquerda do Governo estão o aumento do salário mínimo, um novo aumento das pensões e creches gratuitas.

A nível laboral, o secretário-geral do PS quer aumentar a renumeração do trabalho suplementar e incentivar a contratação coletiva.

No salário mínimo, quer chegar aos 705 euros em 2022, aos 750 em 2023 e aos 850 em 2025.

Nas pensões, a Comissão Política do PS comprometeu-se, por escrito, a um aumento extraordinário das pensões até ao valor de 1.097 euros a partir de janeiro e a aumentar o mínimo de existência em 200 euros.

Na saúde, a ideia é criar a carreira de Técnico Auxiliar de Saúde e um regime de dedicação plena para médicos do Serviço Nacional de Saúde.

O Governo quer ainda aumentar do mínimo de existência em 200 euros e creches gratuitas em 2022 para o primeiro ano.

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