Orçamento do Estado

OE 2023 "é um orçamento num tempo difícil com muitas imprevisibilidades", diz Marcelo

OE 2023 "é um orçamento num tempo difícil com muitas imprevisibilidades", diz Marcelo
NUNO VEIGA/Lusa

Apesar de reconhecer que é “otimista” a previsão do Governo para a inflação, o chefe de Estado admite que possa ser possível, a verdade é que "ninguém tem certezas".

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O Presidente da República já comentou a proposta de Orçamento do Estado, que esta segunda-feira deu entrada no Parlamento, vincando desde logo que é apresentada num contexto “ainda do resto da pandemia, mais a guerra que vai ter altos e baixos”.

“É um orçamento num tempo difícil com muitas imprevisibilidades (..) E nesse quadro tira proveito do ano melhor de 2022", sobretudo da “primeira parte que correu bem” e, prosseguiu, "ajudou haver um orçamento executado em duodécimos, até ao outono. Aquilo que o Estado gastou permitiu criar uma almofada para usar no final de 22/23, com algum dinheiro do PRR”.

Essa almofada de "2022 para pelo menos uma parte de 2023, sustentou o chefe de Estado e "sempre não sabendo como será o resto de 2023, dá um balanço no PIB, no emprego, em não haver um défice nem um aumento da dívida pública, mas dá uma folga para intervenções sociais seletivas".

É precisamente por isso, acrescentou, que “é atacado pelos dois lados”. O daqueles para quem não faz sentido estar atento ao défice “quando há tantos apertos e aí a reposta é que se vamos por aí, de fazer subir a dívida pública e o défice, e depois é um filme que já vimos".

Por outro lado, referiu, há aqueles que dizem que “o que acontece é que por estar a gastar de mais, [o Governo] acaba por criar situações de gestão difícil no futuro. A primeira crítica é mais óbvia, (…) a outra é menos frequente”.

“E é neste equilíbrio que se joga este orçamento, não vai tão longe quanto outros orçamentos de outros países (…), mas não pode ignorar que tem de ir acompanhando minimamente problemas de setores sociais que estão a sofrer de uma forma mais intensa neste momento, sobretudo por causa da inflação”

Certezas ninguém tem e uma bola de cristal também não

Questionado sobre se podia ir mais além, o Presidente Marcelo sustentou que “ninguém tem certezas e eu não tenho uma bola de cristal".

"O Governo tem uma leitura otimista, acha que provavelmente a inflação vai começar a descer. A minha posição é a de que ninguém tem certezas (…) O Governo acha que irá descer e daí não ir tão longe no aumento de salários, mas ao mesmo tempo pensa que isso iria desequilibrar claramente mais as contas públicas”.

"É este equilíbrio que não agrada nem a gregos, nem a troianos que o Governo está a fazer, é a navegação possível à vista da costa como toda a agente", concluiu.

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