Orçamento do Estado

Alterações no IRS: saiba quanto poderá pagar a menos (ou a mais) em 2026

Um solteiro sem filhos com um rendimento bruto de 1.500 euros por mês, se não tiver qualquer subida no salário no próximo ano, pode pagar menos 77 euros de imposto, mas, se receber mais perante o que está previsto, acaba por pagar 128 euros. 

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Estão previstas para o próximo ano mexidas nos escalões do IRS em, pelo menos, 3,5%, que podem significar mais dinheiro no bolso das famílias. Ainda assim, se se cumprirem os aumentos salariais acordados em Concertação Social de 4,6%, este alívio fiscal cai por terra. 

Há um ano Governo e parceiros sociais assinaram o acordo tripartido para a valorização salarial até 2028. 

A ser cumprido, pode representar aumentos na ordem dos 4,6% no setor privado e, se assim for, as mexidas nos escalões do IRS não vão ter tanto impacto como seria esperado. 

Um solteiro sem filhos com um rendimento bruto de 1.500 euros por mês, se não tiver qualquer subida no salário no próximo ano, pode pagar menos 77 euros de imposto, mas, se receber mais perante o que está previsto, acaba por pagar 128 euros. 

Reflete-se numa subida de 5,4% no IRS acima dos 4,6% de aumento. Ou seja, o imposto cresce mais do que o salário. 

Alguém exatamente nas mesmas condições, mas com um salário mensal de 3.000 euros em 2026, se não for aumentado, paga menos 204 euros de IRS. 

Caso contrário, se receber mais 4,6%, vai pagar 396 euros de imposto, o que significa mais 4,5%. 

Escalões vão ser atualizados

Acontece porque os escalões vão ser atualizados em 3,5%. Há ainda uma redução adicional das taxas do segundo ao quinto escalão que terá impacto também nos escalões mais acima.  

As simulações pedidas pela SIC à consultora Delloite mostram que no caso de casados sem filhos que recebem 1.500 euros o aumento do rendimento líquido é ligeiramente mais favorável. 

Mas o IRS também cresce com o salário e, se for uma subida de 4,6%, paga também mais 5,4% de imposto. 

No caso de um casado sem filhos que recebe 3.000 euros, se for aumentado, fica a pagar 4,5%. 

À medida que o salário sobe o rendimento aumenta, mas também a carga fiscal. 

O Governo poderia ter acautelado este cenário perante o que está previsto. 

Se no Orçamento do Estado ficar definido que a mexida nas taxas for de 0,4 pontos percentuais, uma vez que há margem, o impacto no rendimento líquido corresponde a uma subida de nove euros anuais para quem recebe 1.500 euros de salário e de 21 euros para quem recebe 3.000.