A depressão sazonal é uma forma de depressão que surge em determinadas alturas do ano. Quando acontece no outono e no inverno, está associada à diminuição da luz solar e pode causar sintomas como fadiga, alteração do apetite, irritabilidade e isolamento.
A depressão sazonal é uma perturbação do humor que aparece em certas épocas do ano - geralmente no outono e inverno, mas que também pode acontecer no verão - e que entra em remissão durante os restantes meses.
Trata-se de uma forma de transtorno depressivo major com sintomas intermitentes, muitas vezes desvalorizada como “depressão ligeira”. No entanto, pode ser angustiante e interferir profundamente no quotidiano.
Porque acontece?
A explicação mais aceite relaciona-se com afalta de luz solar nos meses frios: a luz natural regula o ritmo circadiano - o “relógio biológico” que controla o sono, o humor e a energia. Menos luz significa menor produção de serotonina (neurotransmissor ligado ao bem-estar) e maior produção de melatonina (hormona do sono), o que pode levar a cansaço, sonolência e irritabilidade.
Outros fatores também podem estar envolvidos, como níveis baixos de vitamina D e predisposição genética, mas o papel exato de cada um ainda está a ser investigado.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão é o problema de saúde mais prevalente na União Europeia, afetando cerca de 50 milhões de pessoas. As estatísticas revelam ainda que 11% da população irá sofrer um episódio depressivo ao longo da vida e que essa é a segunda maior causa de incapacidade.
Portugal ocupa a 5ª posição entre os países com mais casos – cerca de 8% dos portugueses estão diagnosticados com essa perturbação.
Quais são os sintomas?
Os sintomas são semelhantes aos de outras formas de depressão, mas seguem um padrão sazonal. Os mais frequentes são:
- humor persistentemente baixo;
- fadiga extrema e dificuldade em sair da cama;
- isolamento social;
- alterações no apetite e desejo por hidratos de carbono;
- aumento de peso;
- ansiedade, irritabilidade e baixa autoestima;
- dificuldades de concentração;
- alterações no sono (hipersónia no inverno, insónia no verão).
Nos meses frios, tende a haver mais sono e mais apetite; no verão, verifica-se o contrário: insónias e perda de peso.
Fatores de risco e como prevenir?
O diagnóstico pode ser difícil, já que os sintomas se confundem com outras perturbações do humor. Normalmente é feito através de avaliação psicológica e, em alguns casos, análises clínicas para excluir outras causas.
O risco de desenvolver depressão sazonal é maior em pessoas que:
- vivem longe da linha do Equador, com menos horas de luz solar;
- têm historial familiar de depressão;
- apresentam défice de vitamina D;
- sofrem de perturbações como a desordem bipolar.
Pequenas mudanças que podem ajudar a prevenir ou reduzir os sintomas:
- sair de casa e aproveitar a luz natural;
- abrir cortinas e persianas para deixar entrar luz;
- manter uma rotina de sono regular;
- fazer exercício físico várias vezes por semana;
- cuidar da alimentação e reduzir o consumo de açúcares;
- manter contacto com amigos e família.
Como tratar?
O tratamento pode combinar várias abordagens, consoante a gravidade dos sintomas.
- Terapia da luz (fototerapia)
Implica a exposição diária a uma lâmpada de luz intensa (cerca de 10.000 lux), durante 30 a 60 minutos, de manhã. Esta técnica simula a luz solar e ajuda a regular o ritmo biológico. - Psicoterapia
A Terapia Cognitivo-Comportamental tem mostrado bons resultados, ajudando a quebrar padrões de pensamento negativos e a lidar melhor com a ansiedade e o isolamento. - Medicação
Nos casos mais severos, o psiquiatra pode prescrever antidepressivos, como a fluoxetina ou a sertralina.
Quando procurar ajuda?
Tal como outras perturbações do humor, a depressão sazonal pode passar despercebida até se tornar mais grave. Se os sintomas persistirem por várias semanas e interferirem com a rotina diária, é essencial procurar ajuda médica ou psicológica.
Nota: A informação está de acordo com a definição da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), da American Psychiatric Association (APA) e com estudos publicados no Journal of Affective Disorders e no Lancet Psychiatry.


