A vacinação em Portugal e no Mundo

Charles Michel admite debater "proposta concreta" de suspensão das patentes de vacinas

VIOLETA SANTOS MOURA

Presidente do Conselho Europeu disse este sábado que os líderes estão "disponíveis" para negociar uma "proposta concreta" de suspensão das patente.

O presidente do Conselho Europeu disse este sábado que os líderes estão "disponíveis" para negociar uma "proposta concreta" de suspensão das patentes de vacinas contra a covid-19, mas que esta não é a "bala mágica" a curto prazo.

"Sobre a propriedade intelectual, não pensamos que, a curto prazo, esta seja a bala mágica, mas estamos disponíveis para nos empenharmos neste tópico assim que uma proposta concreta seja posta em cima da mesa", disse Charles Michel.

Falando aos jornalistas à chegada ao Conselho Europeu informal que decorre no Porto, e depois de um jantar oficial dominado por este tema, o responsável belga vincou que os chefes de Governo e de Estado da União Europeia (UE) "concordaram que é preciso fazer tudo o que for possível para aumentar em todo o mundo a produção de vacinas".

"No que toca à solidariedade internacional, estamos totalmente empenhados através da COVAX [mecanismo de acesso às vacinas], mas também porque na Europa tomámos a decisão de tornar possível a exportação de vacinas, e encorajamos todos os parceiros a facilitar a exportação das mesmas", vincou ainda Charles Michel.

Macron reitera que a prioridade atual não são as patentes das vacinas

O Presidente francês, Emmanuel Macron, reiterou que, no que se refere ao combate à pandemia, "a prioridade atual não são as patentes" das vacinas, instando os países anglo-saxónicos a "acabarem com a proibição de exportações".

"Hoje, não há uma única fábrica no mundo que não possa produzir doses [de vacinas] para países pobres por causa das patentes. A prioridade hoje não são as patentes - estaríamos a iludir-nos - é a produção", disse Macron.

À semelhança do que já tinha apontado na quinta-feira, Macron voltou a frisar que, no total das vacinas que foram produzidas na UE, cerca de 50% foram exportadas, enquanto nos Estados Unidos e no Reino Unido "100% do que foi produzido foi consumido pelo mercado doméstico".

A suspensão das patentes das vacinas, disse Mácron, "é um bom debate", que se "inscreve no longo prazo" e que, portanto, "deve ser iniciado a partir agora", mas salientou que o levantamento destas patentes deve ser "circunscrito" e apenas ponderado nos casos onde a "propriedade intelectual bloqueia" o acesso das vacinas a países mais pobres.

Von der Leyen diz ser preciso "partilha de vacinas", "exportação" e "aumento da capacidade" de produção

De acordo com uma fonte europeia, os líderes consideram que a nova posição dos Estados Unidos, mais favorável ao levantamento de patentes, pode ter sido uma estratégia. Garantem ainda que oculta o facto de a Europa ser a única democracia que exporta doses de forma massiva. A fonte garante que a administração Biden ainda não fez propostas concretas e diz que os 27 têm dúvidas sobre o impacto da medida a curto e médio prazo.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen diz que o que importante neste momento é ter vacinas disponíveis.

UE está a "fazer progressos ao nível da previsão da vacina e da distribuição da mesma"

Ainda falando aos jornalistas sobre o jantar oficial de sexta-feira à noite, dedicado à pandemia de covid-19, o líder do Conselho Europeu salientou que a UE está a "fazer progressos ao nível da previsão da vacina e da distribuição da mesma", numa altura em que foram já administradas 157 milhões de doses de um total 192 milhões distribuídas.

Os dados são do Centro Europeu para Controlo e Prevenção de Doenças e referem que, em termos percentuais, 11,9% dos adultos europeus tem a inoculação completa e 31,3% a primeira dose da vacina.

"O segundo ponto importante que se discutiu ontem [na sexta-feira à noite] é a questão dos certificados verdes e decidimos que, no dia 25 maio, no próximo Conselho Europeu, vamos convergir sobre este tópico a fim de garantir que podemos encorajar todos os esforços no sentido de encontrar um acordo comum sobre este importante tópico", afirmou ainda Charles Michel, numa alusão ao livre-trânsito digital comprovativo de vacinação, testagem ou recuperação da covid-19.

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