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"No futuro vamos conseguir perceber as emoções que o vídeo desperta"

"No futuro vamos conseguir perceber as emoções que o vídeo desperta"
Filipa Traqueia

Colocar um "gosto" num vídeo pode ter mais impacto do que imagina. Essa é uma das métricas que João Costa, CEO da Replai, analisa diariamente para melhorar a performance dos conteúdos. O objetivo da empresa é entender quais os vídeos que resultam melhor junto do público, utilizando inteligência artificial e algoritmos. O segredo para conseguir que um vídeo se torne viral pode estar mais perto do que imagina.

A Replai analisa a performance dos vídeos partilhados. Qual é o segredo para tornar um vídeo viral?

Há certos componentes que são muito específicos de cada temática, não há uma formula de sucesso para todos. Isso era ótimo, mas depois tirava o fator surpresa. O que nós fazemos é perceber, em cada caso e em cada contexto, qual o fator ou conjunto de fatores que torna o vídeo mais próximo da rentabilidade e do sucesso.

Atualmente qualquer pessoa consegue um captar um vídeo de qualidade com um simples telemóvel. Que impacto têm esta possibilidade para uma empresa, um "influencer" ou uma pessoa que quer partilhar uma memória?

A internet neste momento aproxima-se de 80% de vídeo. Quando um vídeo tem um determinado objetivo, como acontece no caso de uma empresa que vende um determinado produto ou no caso de criadores de conteúdo – os chamados “influencers” –, nós conseguimos perceber qual é a correlação de cada um dos elementos do vídeo, sejam visuais ou auditivos, com o sucesso. Neste caso estamos a falar de gostos, partilhas, comentários como uma das medidas de sucesso.

O aumento de canais para partilha de vídeos contribuíram para a alteração dos conceitos por trás do marketing e da publicidade?

Sem dúvida. O vídeo mudou sem dúvida a maneira como o marketing é feito porque nós passámos de uma comunicação assíncrona para uma que é feita em tempo real e a qualquer momento. Sem dúvida que o marketing tem de estar presente na rotina das pessoas e passou a ter de ser muito mais relevante, sobretudo porque os utilizadores são bombardeados com conteúdo. Agora, estamos a assistir a uma fase em que as pessoas tentam até evitar consumir demasiado conteúdo, e isto aumenta a urgência de ter conteúdo relevante. O que nós fazemos é justamente isso: adaptar o conteúdo de cada marca a cada pessoa, percebendo os elementos que funcionam melhor em cada público.

Esses dados de análise de performance podem influenciar a forma como se faz o conteúdo?

No caso da criação de conteúdos pelos "influencers", apesar de não estar muito evidente, esse cuidado é algo que muitos já têm em conta. Muito do conteúdo que vemos, e a razão pelo qual é atraente, deve-se justamente ao facto dos "influencers" encontrarem coisas que funcionam e passam a produzir conteúdo naquele registo. Porque o que o "influencer" acaba por ser também uma forma de negócio e têm de ir à procura do que as pessoas querem ver. Sim, eu acredito, que no futuro as pessoas vão ter muito mais noção sobre qual o público alvo em que se focar no momento do estão do processo de criação. Ou seja, isto não é, de forma direta, um constrangimento à espontaneidade, mas sim uma muito maior noção de quem é o meu publico alvo. Se eu me sinto bem a criar um determinado conteúdo ou arte, vou saber muito melhor para quem tenho de me direcionar. É uma forma mais eficiente de atingir as pessoas que gostam do tipo de conteúdo que espontaneamente nós criamos.

Na base do vosso serviço estão algoritmos e inteligência artificia (IA). Como é que um algoritmo consegue analisar um vídeo? Existe alguma fator humano no processo?

Nós usamos um tipo específico de IA que se chama visão computacional, que é uma tecnologia emergente e inicial – e é até raro encontrar talento nesta área –, mas que tem um potencial altíssimo. Aquilo que faz é, de uma forma 100% automatizada, reconhecer todos os elementos do vídeo, seja roupa (no caso dos influencers), movimentos, expressões… Tudo isso é possível reconhecer num vídeo através da visão computacional. Depois o que estabelecemos são algoritmos de correlação desses elementos com os dados que nós conseguimos obter sobre a performace do vídeo. E então, analisando diversas situações, conseguimos perceber o que é que funciona em cada canal e para cada tipo de audiência.

SIC Notícias

Como vais ser a produção de conteúdos em vídeo daqui a 30 anos?

Nós temos, neste momento, um mundo em que as pessoas lançam um vídeo com a cor base amarelo, por exemplo. Porque gostam da cor, sentem-se atraídas ou acham que o amarelo vai funcionar. Aquilo que a nossa plataforma permite é medir a performance desse amarelo em comparação com o vermelho ou azul. Estou a utilizar o exemplo simples de uma cor para explicar que no futuro nós vamos conseguir perceber as emoções que o vídeo desperta em cada tipo público alvo através do tipo de plataforma. Conseguimos comunicar muito melhor aquilo que nós queremos comunicar, conseguimos perceber o lado do recetor da mensagem de uma forma muito mais simples. No final do dia, penso que é esse o objetivo da tecnologia: simplificar a nossa vida.

Qual foi o seu percurso na Web Summit?

Eu já venho desde o primeiro ano. É uma história engraçada porque o primeiro ano que vim foi como voluntário. Comecei a trabalhar como voluntário e tentei perceber como poderia cada vez mais estar próximo das pessoas que falavam no palco e das ideias que eram trocadas aqui na Web Summit. Houve até um ano que fui convidado a trabalhar na organização do evento e isso deu-me uma noção muito melhor sobre os tópicos que se falam no evento, como fazer apresentações no palco principal. Este ano falei duas vezes no Center Stage a representar a Replai. Foi algo que já foi construído com muito mais experiência.

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