A destruição causada pela depressão Kristin atingiu todo o país, mas há zonas que ficaram totalmente destruídas pela força da tempestade como é o caso do Pinhal de Leira. Há quem diga que as imagens que se vêm equiparam-se à destruição causada pelo rebentamento de uma bomba.
Na região Centro, os ventos registados foram acima dos 100 quilómetros por hora (km/h) e deixaram um rasto de destruição. O temporal fez com que parte do telhado do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, padroeira de Leiria, fosse arrancado.
As autoridades tinham alertado a população que o que aí vinha era assustador e que a depressão Kristin trazia ventos entre os 140 e os 160 km/h.
No dia seguinte, as ocorrências eram sobretudo no Centro do país. Em Leiria, nem o quartel dos bombeiros escapou.
Só esta quarta-feira foram registadas mais de 5.400 ocorrências, a maioria quedas de árvores e de estruturas. No terreno estiveram cerca de 18 mil operacionais apoiados por 6 mil veículos.
Pelo menos cinco pessoas morreram devido à passagem da depressão Kristin em Portugal. Três delas foram em Leiria, uma em Vila Franca de Xira e outra na Marinha Grande.
Há ainda registo da morte de uma mulher com cerca de 80 anos em Silves, em que a viatura onde seguia foi arrastada por uma ribeira, no entanto a Proteção Civil ainda está a avaliar se o caso está relacionado com a tempestade.
Há escolas fechadas, estradas e ligações ferroviárias cortadas e a circulação continua suspensa nas linhas da Beira Baixa do Oeste e do Norte, entre Porto e Lisboa.
Além disso, as telecomunicações também estão desligadas, assim como os cortes de energia.
450 mil pessoas sem eletricidade
Ao início da manhã desta quinta-feira, havia cerca de 450 mil pessoas sem eletricidade e, no dia anterior, no rescaldo da tempestade chegaram a ser mais de um milhão.
Na cidade de Leiria e Tomar a noite passada foi preenchida por uma escuridão imensa devido à falta de luz.
A Câmara de Pedrógão Grande apelou ao racionamento de água por causa da falta de eletricidade na zona. Há cinco escolas em Castelo Branco que esta quinta-feira não conseguiram abrir. O mesmo acontece nas escolas de Soure, em Coimbra, assim como nos concelhos de Ancião, Marinha Grande, Pedrógão Grande e Pombal.
Os prejuízos ainda estão por contabilizar.
Sem comunicações em diversas autarquias a solução é pegar nos telefones com ligação através de satélite para comunicar com o resto do país. Foi o que fez o autarca de Figueiró dos Vinhos a pedir socorro, já o presidente do município de Alvaiázere fala num "cenário catastrófico".
Em Ferreira do Zêzere pede-se ao Governo que decrete situação de calamidade e, é isso que pede também o presidente da câmara de Leiria.
Também em Pataias, no concelho de Alcobaça, a tempestade trouxe sinais de desespero onde dezenas de pessoas acabaram por fazer fila para entrar no supermercado.
Governo decreta situação de calamidade
O governo decidiu decretar a situação de calamidade nas zonas mais afetadas.
O primeiro-ministro cancelou entretanto as viagens que tinha para os próximos dias, com visitas a Andorra e à Croácia, e seguiu para as zonas afetadas nos distritos de Leiria e de Coimbra.
Durante a passada quarta-feira, o Presidente da República e a Ministra da Administração Interna estiveram na Proteção Civil para saber o que estava a ser feito no terreno para repor a normalidade e, demonstrou solidariedade e as sentidas condolências às famílias das vítimas.