A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, falou esta sexta-feira pela primeira vez desde a passagem da tempestade Kristin, que provocou a morte de cinco pessoas em Portugal na quarta-feira.
Em declarações aos jornalistas, na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), a ministra lamentou as vítimas mortais e afirmou que o país enfrentou esta semana "uma provação terrível provocada por um fenómeno meteorológico extremo".
"Infelizmente a provação porque passamos não terminou"
A ministra da Administração Interna referiu que, a partir da noite do próximo domingo, o quadro meteorológico será "muito severo", apesar de não se esperar uma "repetição do que aconteceu" com a tempestade Kristin, que foi descrito como um "fenómeno raro" e de "difícil antecipação" em território nacional.
"Noutras circunstâncias, seria apenas chuva de inverno", afirmou, acrescentando que os acontecimentos previstos para a próxima semana "exigem uma preparação rigorosa", uma vez que o país se encontra a recuperar da passagem de uma “ciclogénese explosiva”.
Por isso apelou aos jornalistas para informarem o público e alertarem as populações sobre as recomendações das autoridades para os próximos dias.
Ministra está ausente? Governo é "órgão colegial" e há "muito trabalho invisível"
Questionada sobre a sua ausência no terreno, só falando dois dias depois da tempestade Kristin, a ministra da Administração Interna diz que o Governo é um "órgão colegial chefiado pelo primeiro-ministro" de acordo com "quadro estratégico definido em Conselhos de Ministros".
"Sou a responsável pela Administração Interna e sou, por isso, responsável pela Proteção Civil com muita honra. Há muito muito trabalho que se faz em contexto de invisibilidade, no gabinete, trabalho de informação, de reflexão, de planeamento e sobretudo de coordenação", acrescentou.
Referiu várias vezes o trabalho invisível que se faz, que exige muita coordenação de múltiplas entidades, nomeadamente, forças de segurança, Forças Armadas, IPMA e Ministério do Ambiente.
"Estamos a fazer um processo de aprendizagem coletiva"
Interpelada sobre a frequência de fenómenos extremos em Portugal, a ministra da Administração Interna admitiu que estão a acontecer de forma mais recorrente, e que são "muito exigentes".
"São novos para todos nós - sociedade e Estado - e estamos a fazer um processo de aprendizagem coletiva", disse, deixando em aberta a possibilidade de revisão dos modelos institucionais de resposta a catástrofes.