Meteorologia

"Todo o cuidado é pouco": Proteção Civil alerta para inundações e lençóis de água provocados pela depressão Leonardo

A depressão Leonardo vai afetar o estado do tempo em Portugal até sábado, com chuva persistente e por vezes forte, queda de neve, vento e agitação marítima.

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Mário Silvestre, comandante nacional da Proteção Civil, alerta para o risco de cheias, inundações, piso escorregadio e lençóis de água nas estradas nos próximos dias, devido à depressão Leonardo.

"Atenção à questão dos lençóis de água, uma vez que vai haver acumulação de água. Todo o cuidado é pouco. Condutores têm de circular com grande atenção", afirma.

Na conferência de impresa, Mário Silvestre destaca que vai haver "dificuldade de drenagem" em sistemas urbanos, lembrando que os esgotos estão "saturados" após a depressão Kristin e, por isso, a água pode sair "em zonas em que não estamos à espera".

Faze às previsões meteorológicas, o comandante da Proteção Civil recomenda, entre outros, a desobstrução dos sistemas de escoamento, manutenção e reforço de telhados, portas e janelas e fixação de objetos soltos e estruturas temporárias.

"Com base neste quadro meteorológico, o país foi elevado todo para o estado de prontidão especial 4, o mais elevado dos níveis que temos, o que implica 100% da capacidade dos agentes de proteção civil disponível", afirmou Mário Silvestre, numa conferência de imprensa na sede Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

A partir desta terça-feira, espera-se chuva forte e persistente, vento forte com rajadas até 75 quilómetros por hora no litoral a sul do Cabo Mondego (perto da Figueira da Foz, no distrito de Leiria) e até 95 quilómetros por hora nas serras do Sul.

A ANEPC alerta ainda para a agitação marítima forte na costa ocidental, com ondas que podem atingir os 11 metros de altura.

A queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela (com acumulações até 25 centímetros acima dos 1.600 metros e entre 10 e 15 centímetros acima de 1.000 metros) e nas serras do Norte e Centro é outra das previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), divulgadas pela ANEPC.

Ocorrências

Em relação à depressão Kristin, que deixou um rastro de destruição em Portugal, adianta que provocou 12.183 ocorrências até às 16:00 de dia 1 de fevereiro, que envolveram mais de 41 mil operacionais e 15 mil meios terrestres.

Queda de arvores, movimentos de massa, inundações e queda de estruturas foram as ocorrências mais registadas.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência da depressão Kristin, algumas diretamente associadas à passagem da tempestade Kristin, outras durante trabalhos de reparação ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Após a passagem da depressão Kristin e até esta terça-feira, foram registadas 2.156 ocorrências, com o apoio de 7 mil operacionais e 2 mil meios terrestres.

Com Lusa.