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Principal acusado catalão a prestar depoimento ao tribunal de Madrid diz-se "preso político"

Reuters TV

O principal acusado no julgamento dos independentistas catalães, o ex-vice-presidente do governo regional Oriol Junqueras, disse hoje ao tribunal de Madrid que se considera um "prisioneiro político" que está a ser julgado pelas suas ideias.

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O principal acusado no julgamento dos independentistas catalães, o ex-vice-presidente do governo regional Oriol Junqueras, disse hoje em tribunal que se considera um "prisioneiro político" que está a ser julgado pelas suas ideias.

"Neste momento considero-me um prisioneiro político" e estou a ser "acusado pelas minhas ideias e não pelos meus atos" afirmou o principal acusado no julgamento dos independentistas catalães, o ex-vice-presidente do governo regional Oriol Junqueras, que se considerou "independentista, democrata e Republicano".

O ex-presidente do Governo catalão é o primeiro de 12 ex-responsáveis regionais que vão a partir de hoje apresentar o seu depoimento no Tribunal Supremo espanhol.

Junqueras recusou-se a responder às perguntas da acusação e, nesta parte inicial do processo, está a replicar apenas às questões colocadas pelo seu advogado.

O juiz Manuel Marchena, que preside ao julgamento, alertou que as perguntas não poderiam centrar-se em questões ideológicas, apenas em factos.

"Não vou renunciar às minhas convicções democráticas e a acusação não vai deixar de me atacar por elas, estou assim incapaz de me defender", disse o Oriol Junqueras ao juiz, antes de começar a responder às perguntas do seu advogado.

O ex-vice-presidente defendeu que nenhum dos acusados cometeu nenhum dos delitos de que são acusados porque "votar em referendo não é delito e trabalhar pela independência da Catalunha não é um crime".

O julgamento dos 12 dirigentes independentistas catalães iniciou-se na terça-feira e deverá demorar três meses, com a sentença a ser conhecida antes das férias de verão, segundo previsão feita pelo tribunal.

O julgamento está a ser transmitido em direto pela televisão e a ser seguido por mais de 600 jornalistas e 150 meios de comunicação social espanhóis e estrangeiros.

O Ministério Público pediu penas que vão até 25 anos de prisão contra os acusados, por alegados delitos de rebelião, sedição, desvio de fundos e desobediência.

No banco dos réus estão também vários ex-membros do antigo executivo regional, a antiga presidente do Parlamento catalão e os dirigentes de duas poderosas associações cívicas separatistas.

Nove dos 12 acusados estão detidos provisoriamente há mais de um ano, entre eles Oriol Junqueras, suspeitos de terem cometido os delitos mais graves de rebelião e desvio de fundos públicos.

Os independentistas defendem que o julgamento é um "embuste", defendendo que o Estado espanhol vai julgar "presos políticos" e não "políticos presos".

Carles Puigdemont de fora do banco dos réus

A figura principal da tentativa de independência, o ex-presidente do Governo regional catalão Carles Puigdemont, que fugiu para a Bélgica, é o grande ausente neste processo, visto que Espanha não julga pessoas à revelia em delitos com este grau de gravidade.

Após realizar a 01 de outubro de 2017 um referendo sobre a independência proibido pela justiça, os separatistas catalães proclamaram a 27 de outubro do mesmo ano uma República catalã independente.

O processo de independência foi interrompido no mesmo dia, quando o Governo central espanhol, presidido então por Mariano Rajoy, decidiu intervir na Comunidade Autonómica, destituindo o executivo de Carlos Puigdemont e dissolvendo o Parlamento.

Com Lusa