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Governo do Sudão contraria opositores e contabiliza 61 mortos em ataques

Stringer .

Opositores falam em mais de 100 mortos.

Um responsável do Ministério da Saúde do Sudão afirmou esta quinta-feira que 61 pessoas morreram durante as operações militares contra os movimentos de contestação no país, contrariando os opositores, que falam em mais de 100 mortos.

Soliman Abdel Gabbar, subsecretário do Ministério da Saúde do Sudão, especificou em conferência de imprensa que destas, 52 pessoas morreram nos últimos três dias na capital sudanesa, Cartum, e que os corpos de outras duas foram retirados do Rio Nilo, junto da cidade.

Na quarta-feira, o Comité de Médicos do Sudão, organização próxima dos manifestantes, referiu que 40 corpos tinham sido retirados das águas do Nilo, acrescentando que este pode ainda conter "dezenas".

Segundo o Comité de Médicos, 108 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas desde segunda-feira, data da operação para dispersar os manifestantes, que estavam concentrados em frente ao Quartel-General das Forças Armadas, em Cartum.

O Sudão vive, desde dezembro, uma revolução popular sem precedentes que conduziu à deposição, em abril, do Presidente Omar al-Bashir, substituído por um Conselho Militar Transitório.

Apesar da mudança, os manifestantes continuam nas ruas, reclamando uma transferência de poder para os civis.

As negociações entre os movimentos de contestação e a Junta Militar fracassaram em 20 de maio com as duas partes a quererem assumir a liderança do período de transição de três anos.

Na segunda-feira, o acampamento, montado desde 06 de abril, em Cartum, foi dispersado pela força, com os manifestantes a denunciarem "um massacre" perpetrado por "milícias" do Conselho Militar.

Por seu lado, os militares rejeitaram o uso da força, adiantando que se tratou de "uma operação de limpeza" que correu mal.

A operação foi condenada pelas Nações Unidas, Estados Unidos e Reino Unido, entre outros países.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que apoiam os militares sudaneses, apelaram ao diálogo sem condenar a repressão.

Lusa