Mundo

A 1.ª cidade dos EUA a banir cigarros eletrónicos

Daniel Becerril

Cidade de São Francisco aprovou por unanimidade proibição dos novos produtos de tabaco, até que os efeitos para a saúde sejam clarificados nos EUA

Janie Har

7 meses de proibição

A nova lei foi aprovada esta 3.ª feira por unanimidade do Conselho da autarquia de S. Francisco e impõe restrições à venda, comércio e distribuição de produtos de tabaco, incluindo cigarros eletrónicos.

O Presidente da câmara, London Breed, tem agora 10 dias para promulgar ou vetar as novas regras, mas já avisou que vai dar luz verde à nova lei que prevê 7 meses de proibição, mas que levanta questões legais e de legitimidade.

A polémica já vai longa e não deve ficar por aqui, com os opositores a alegarem que os principais alvos dos vaporizadores são os jovens, aliciados pelos novos sabores que podem abrir a porta ao consumo regular, até de cigarros convencionais.

A comunidade científica reconhece que ainda são precisos mais estudos sobre os impactos destes produtos para a saúde pública.

O presidente da Juul Labs, o maior produtor de cigarros eletrónicos dos EUA alerta para o perigo desta lei impulsionar o mercado negro no país.

Samantha Maldonado

"Abdicação de responsabilidade"

Ainda este ano a FDA, a Administração que regula os medicamentos e o setor alimentar avançou com novas recomendações para o setor que passa a ter de apresentar avaliações dos produtos até 2021.

O prazo devia terminar em 2018, mas pouco depois as autoridades norte-americanas reconheceram que ainda era preciso um período preparatório às novas exigências.

O advogado que representa a autarquia e que fez campanha pela proibição dos cigarros eletrónicos justifica esta nova lei com a "abdicação de responsabilidade" pela FDA na regulação dos cigarros eletrónicos.

Segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA o número de adolescentes que reconheceu consumir produtos com nicotina aumentou 36% no ano passado. Grande parte desta percentagem é atribuída aos cigarros eletrónicos.

A lei federal dos EUA limita a compra de produtos de tabaco a maiores de 18 anos e em muitos Estados como na Califórnia essa idade mínima sobe para 21.

Samantha Maldonado

O dono da maior companhia norte-americana de cigarros eletrónicos que detém 70% do mercado de vaporizadores dos EUA alerta para os efeitos perversos desta nova lei, sobretudo entre os jovens e entre os adultos que já deixaram o tabaco convencional”

“A proibição em S. Francisco vai empurrar os adultos que já consomem cigarros eletrónicos a regressarem ao tabaco convencional e criar um mercado negro”.

“O tabaco convencional permanece intocável com esta nova lei, apesar de matar 40.000 californianos todos os anos”, afirmou a Juul Labs

35% da Juul pertence à Marlboro e já retirou alguns dos sabores mais populares de cigarros eletrónicos do mercado, devido à polémica. Manga e pepino já foram retirados das redes sociais da companhia, mas continuam à venda na internet