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A foto que está a chocar o Mundo

Oscar e Valeria Martínez, pai e filha de 1 ano e 11 meses, morreram afogados no rio Bravo, quando desesperados tentavam chegar a nado aos Estados Unidos.

A família de El Salvador estava há uma semana em Matamoros (Tamaulipas), mas a espera para serem atendidos pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA levou-os ao desespero e à decisão de atravessarem a nado o Rio Bravo, que separa Ciudad Juárez, no México, de El Paso, nos Estados Unidos, onde queriam procurar asilo.

A fotógrafa Julia Le Duc, que acompanhou a travessia, contou ao jornal El País que em conversa com a mãe soube que "o marido tinha ido com a filha atravessar o rio até Brownsville (no Texas) e quando voltou para ajudar a mulher na travessia, a menina atirou-se à água. Não sei se pensou que era uma brincadeira, mas quando a corrente a levou ela disse-lhes adeus"

O duro momento atraiu muitos curiosos através dos gritos de desespero da mulher.

As autoridades de segurança de Matamoros foram alertadas e foi montada uma operação no domingo à tarde, que foi depois suspensa durante a noite. Na segunda-feira de manhã, os dois corpos foram descobertos por agentes a 500 metros da zona onde se haviam perdido.

A família, que fez aumentar o já extenso número de mortes devido à crise migratória, partiu de El Salvador em abril e entrou no México através da fronteira de Tapachula (Chiapas), onde lhes foi concedido um visto humanitário que lhes permitia residirem legalmente no país enquanto aguardavam asilo nos EUA.

Nunca chegaram ao destino, e aguardam agora pela ajuda do Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, para que os corpos regressem ao país de origem. O pedido foi feito através do Twitter de um primo da família Martínez.

A fotografia ilusta o drama que se vive atualmente nas fronteiras no México. No mesmo dia, segunda-feira, foram encontrados os corpos de quatro guatemaltecos, três crianças e uma mulher, sem vida no deserto do Texas vitimas de desidratação.

Os números

Em 2018, de acordo com o site da Globo, foram detidas 396,5 mil pessoas que tentavam atravessar a fronteira dos EUA com o México ilegalmente, contra 303,9 mil em 2017.

Segundo a ONU, apesar do aumento no último ano, os números tinham vindo a cair há 10 anos. Houve uma queda acentuada no primeiro ano de governo de Donald Trump, mas estes voltaram a subir em 2018.

No ano passado, 2018, foram encontrados 283 corpos de vítimas que tentavam atravessar as fronteiras entre os dois países. Estes números, apesar de grandes, são menores que os com que faz contraste de 2017, em que 412 migrantes foram encontrados nos arredores das fronteiras.

Especialistas, em declarações ao El País, afirmaram que acreditam que nem todos os corpos são encontrados, apontam como as principais causas de morte a exposição prolongada a um clima extremo (temperaturas que podem superar os 40ºC) e o difícil acesso dos serviços de emergências nas áreas remotas pelas quais os migrantes passam.

Política de migrações - as medidas de Trump

Donald Trump, aquando a sua candidatura a Presidente dos EUA em 2016, teve como um dos temas centrais da sua campanha o combate à imigração ilegal nos EUA.

No discurso de lançamento da sua candidatura prometeu um "grande, grande muro" na fronteira com os Estados Unidos e a deportação de imigrantes ilegais. Enfatizou estes pontos durante toda a sua companha, tendo sido o muro o mais abordado.

Trump afirmou que o muro seria pago pelo México.

Já o México afirmou que não pagaria o muro.

A ordem para a construção do mesmo foi assinada em 2017 pelo Presidente dos EUA e os protótipos do mesmo começaram a ser construídos no mesmo ano. Previa-se que as construções estivessem terminadas em dois anos. No entanto, no início de 2019, Trump ainda andava a medir forças com os líderes do Congresso sobre a construção do mesmo, e chegou mesmo a declarar emergência nacional para conseguir construir o muro.

Devido às fortes medidas contra a imigração ilegal de Trump, dezenas de famílias têm vindo a ser separadas das suas crianças. Após polémica, os EUA anunciaram em junho do ano passado que iriam devolver as crianças às famílias, deixando-as assim detidas no mesmo espaço.

Três meses depois, Donald Trump voltou a defender a separação de famílias na fronteira com o México, afirmando que "Se sentirem que haverá uma separação, então não venham".

Em outubro de 2018 os EUA reforçaram a segurança na fronteira com o México de forma a conter a grande vaga de hondurenjos que se preparavam para passar a fronteira.

Logo no mês seguinte, Donald Trump limitou o direito ao asilo, também como forma de combate à crise migratória.

Em janeiro deste ano, iniciou-se a deportação de migrantes que haviam requerido asilo nos Estados Unidos.

No início do mês, foi assinado um acordo entre os dois países, em que os EUA se comprometeram em não aplicar tarifas sobre as importações mexicanas em troca do México conter o fluxo de migrantes para os EUA.

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