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México "tem 45 dias para conter o fluxo de migrantes para os Estados Unidos"

Jose Luis Gonzalez

Acordo entre México e EUA assinado na sexta-feira, dia 7 de junho, surge após ameaça de Donald Trump de impor tarifas.

México admite ter 45 dias para reduzir o fluxo de migrantes com destino aos Estados Unidos da América, após acordo com os EUA para travar a imposição de tarifas.

O ministro mexicano dos Negócios Estrangeiros disse na segunda-feira que se o reforço das forças de segurança não resultar serão discutidas "medidas adicionais". Marcelo Ebrard afirmou que isso poderia significar uma "solução regional" que envolvesse outras nações.

Segundo a BBC, é também possível que os EUA exijam que o México processe os pedidos de asilo de migrantes no seu próprio território.

Em conferência de imprensa, Marcelo Edrard sugeriu uma ligeira divergência de opiniões sobre o acordo anunciado, na sexta-feira, entre os EUA e o México.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou num tweet, na sua página pessoal, que foi "assinado e documentado" uma "parte muito importante" do acordo de migração e segurança entre os EUA e o México, aproveitou para referir que este acordo era algo que os EUA pretendiam estabelecer há alguns anos.

Comentadores referem que este acordo é um acordo de "país terceiro seguro", em que os migrantes têm de se candidatar para o asilo ainda no México, em vez de o fazerem já nos EUA, caso contrário o asilo será recusado.

Marcelo Ebrard disse que esta medida foi da especial insistência dos EUA, acrescentou ainda: "nós dissemos-lhes - e acredito que esta tenha sido a principal conquista deste acordo - 'vamos marcar um prazo para vermos se o que o México está a propor irá funcionar, se não, vamo-nos sentar de novo e ver que medidas adicionais podem ser aplicadas".

" Eles (os EUA) queriam que o acordo fosse completamente diferente do que o assinado. Mas isto é o que é possível aqui. Não há mais do que isto." afirmou Marcelo Ebrard.

Acrescentou ainda que os negociadores dos EUA queriam que o México se tivesse comprometido com um total de "zero migrantes" a atravessar a fronteira em direção ao território norte-americano, mas isso seria uma "missão impossível".

Donald Trump aproveitou as redes sociais para informar que o México fará em breve uma "grande" compra agrícola aos EUA.

No entanto, Ebrard referiu que não houve mais nenhum acordo com os EUA para além do acordo de controlo migratório e que, provavelmente, o Presidente norte-americano estaria a fazer referência ao crescimento esperado do comércio devido ao acordo migratório.

Medidas adotadas pelo México

Serão alocados, para a fronteira a Sul com a Guatemala, 6 mil guardas nacionais.

O Governo mexicano acordou também dar suporte na implementação da medida que exige que o asilo seja processado ainda no México, assim como o período em que se espera a sua adjudicação.

Os esforços para conter o fluxo migratório serão reavaliados em meio de Julho, se falharem outros países terão de ser incluídos no assunto.

As discussões terão início com o Brasil, Panamá e Guatemala, os países usados como pontos transitórios pelos migrantes.

Um acordo de "país terceiro seguro" pode causar grandes problemas para o México que teme não ter os recursos para integrar centenas de migrantes.

Segundo o jornal Independent, o México garantiu também expandir os centros de detenção de imigrantes e reforçar os esforços de deportação.

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