A comandante do navio da organização não-governamental (ONG) alemã Sea-Watch. Carola Rackete, de 31 anos, foi detida pela polícia italiana "por resistência ou violência contra um navio de guerra", crime que prevê uma pena de três a dez anos de prisão, noticiaram os 'media' locais.
Um barco de patrulha da guarda italiana tentou bloquear a entrada da embarcação da ONG no porto.
"A comandante Carola não tinha escolha", explicou o porta-voz da Sea Watch Itália, Giorgia Linardi, citado pelo jornal italiano "La Repubblica".
A comandante do Sea-Watch 3 desafiou por duas vezes as ordens diretas das autoridades portuárias, primeiro ao entrar nas águas italianas e segundo na tentativa de se aproximar do porto de Lampedusa, a ilha mais meridional da Itália.
Na quinta-feira, o comissário europeu para as Migrações pediu a Itália que permitisse a entrada de 42 migrantes a bordo do navio privado de resgate e que os deixe desembarcar na ilha de Lampedusa o mais rapidamente possível.
Dmitris Avramopoulos garantiu que vários Estados-membros da União Europeia estão prontos para ajudar, mas sublinhou que a ajuda só pode ser dada quando os migrantes estiverem em terra.
O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, tem recusado deixar migrantes desembarcarem no território e sublinhou que o Sea-Watch desafiou o país ao entrar em águas italianas, defendendo que a tripulação deve ser detida e o navio arrestado.
No interior da embarcação, encontram-se 40 dos migrantes resgatados a 12 de junho no Mediterrâneo (inicialmente eram 53 mas os restantes foram desembarcados por razões médicas), onde se encontram há duas semanas à espera de um porto seguro para desembarcar.
A Itália mantém uma política de portos fechados aos barcos das ONG, política defendida sobretudo pelo ministro da extrema-direita Matteo Salvini, que acusa as organizações de favorecerem a imigração ilegal.

