Mundo

Amal Clooney acusa líderes de "um encolher de ombros coletivo" no caso Khashoggi

Carlo Allegri

Enviada do governo britânico para a liberdade de imprensa acusa líderes de falharem na proteção de jornalistas.

A advogada de direitos humanos Amal Clooney acusou esta quarta-feira os líderes mundiais de falharem na proteção de jornalistas e responderem com um "encolher de ombros coletivo" sobre o assassínio do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

Clooney, que é a enviada do governo britânico para a liberdade de imprensa, afirmou durante uma conferência sobre o tema que "nunca os jornalistas estiveram sob ataque como agora", não apenas a cobrir guerras, mas também por exporem crime e corrupção.

"A grande maioria dos assassínios (de jornalistas) fica impune", disse, acrescentando que os "líderes mundiais responderam com pouco mais do que um encolher de ombros coletivo" ao assassínio de Khashoggi por agentes próximos do príncipe herdeiro saudita.

Khashoggi, que na altura da sua morte era colunista no jornal norte-americano Washington Post, foi morto no consulado saudita em Istambul, no ano passado.

Segundo um levantamento da agência da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em 2018 foram assassinados 99 trabalhadores do setor da comunicação social em todo o mundo.

A conferência de Londres onde Clooney falou foi promovida pelos chefes da diplomacia do Reino Unido, Jeremy Hunt, e do Canadá, Chrystia Freeland, com o objetivo de melhorar a proteção dos jornalistas em torno o mundo.

Criado fundo para apoiar jornalistas em zonas de perigo

Durante o evento, que termina quinta-feira, foi anunciada a criação de um fundo para fornecer formação, apoio legal e outros recursos a jornalistas em zonas de perigo, administrado pela UNESCO.

Está por definir o montante do fundo, mas o Reino Unido já se comprometeu com três milhões de libras (3,3 milhões de euros) e o Canadá com um milhão de dólares canadianos (680 mil euros).

Políticos, funcionários, ativistas e jornalistas de mais de 100 países participam no evento de dois dias.Dois 'media' russos, a agência noticiosa Sputnik e a televisão pública RT, foram excluídos devido ao seu alegado "papel ativo na disseminação de contrainformação", segundo as autoridades britãnicas.

Lusa

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