Mundo

Mulheres são 60% mais afetadas por interação de medicamentos

George Frey

O estudo revela também que esta problemática "é maior a partir dos 50 anos".

As mulheres são 60% mais afetadas por interação de medicamentos do que os homens, verificando-se uma maior afetação consoante a idade, diz um estudo realizado em Blumenau, no Brasil, e publicado na npj Digital Medicine.

O estudo, realizado durante 18 meses, baseou-se num registo informático, no qual estão inscritas "as interações com os pacientes e também todos os sistemas de prescrição de medicamentos", disse à agência Lusa o chefe do grupo de investigação, Luís Rocha.

As razões que levam a uma maior afetação por parte das mulheres "ainda estão por descobrir", mas Luís Rocha especula que as causas estejam relacionadas com motivos "do foro social ou biológico, porque se constatou que há mais mulheres diagnosticadas com depressão e muitos dos medicamentos encontrados têm a ver com ansiedade e depressão".

O estudo, que envolveu investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), da Universidade Regional de Blumenau (FURB) e da Indiana University, revelou também que esta problemática "é maior a partir dos 50 anos", verificando-se que "estão a ser prescritos mais medicamentos às mulheres quando entram na menopausa".

"Apesar de se saber que certas medicações interagem com outras, ainda assim estão a ser prescritas aos pacientes simultaneamente", disse o investigador que verificou, neste estudo, a existência de mais de 180 interações.

Luís Rocha apontou várias razões para esta situação, como a falta de "uma alternativa, falha de atenção por parte dos médicos" ou o facto de cada paciente ser seguido por vários clínicos.

Segundo o cientista, a interação de medicamentos pode ter "todo o tipo" de consequências na saúde dos utentes, como problemas neurológicos, disfunções hepáticas ou a redução de capacidade de efeito de um dos medicamentos.

Luís Rocha pretende obter dados de Portugal, mas acredita que estes sejam "piores" do que os verificados no Brasil, por haver uma população mais envelhecida.

Para além desta problemática, a situação causa ainda um aumento de custos, uma vez que existem pacientes que têm de voltar aos serviços médicos.

Lusa

  • Governo admite aumento de pressão sobre os hospitais

    Coronavírus

    No dia em que o balanço da Direção Geral de Saúde dá conta de 311 mortes e 11.730 casos de Covid-19 em Portugal, o Governo admite que aumentou a pressão sobre os hospitais. Esta segunda-feira, ficou ainda a saber-se que o País já tem um mapa de risco de infeção por coronavírus. Em Londres, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson está internado nos cuidados intensivos. Em Espanha, o número de óbitos desceu pelo quarto dia consecutivo. Já os Estados Unidos ultrapassaram as 10 mil mortes. A pandemia do novo coronavírus já matou, desde dezembro, 73.139 pessoas e infetou mais de 1,3 milhões em todo o mundo.

    SIC Notícias