Mundo

Guardas prisionais responsáveis pela segurança de Epstein acusados de falsificar registos

Handout .

Empresário norte-americano, que se enforcou na prisão, tinha sido detido por tráfico sexual de menores e estava sob vigilância 24 horas.

Dois guardas prisionais responsáveis pela segurança de Jeffrey Epstein na noite em que se suicidou foram acusados, esta terça-feira, de falsificar registos para esconder que estavam a dormir ou a navegar na Internet.

Os guardas Toval Noel e Michael Thomas foram acusados de negligenciar os seus deveres profissionais ao não vigiarem Epstein durante um período de quase oito horas. Contudo, iam fazendo registos a cada 30 minutos, mas sem verificarem a cela.

Segundo a acusação, os dois polícias estiveram a navegar na Internet, andaram pela área comum da unidade prisional e, durante duas horas, estiveram a dormir.

A acusação dos dois guardas prisionais é a primeira relacionada com a morte do empresário Jeffrey Epstein, que se suicidou na prisão. As câmaras de vigilância confirmaram que ninguém entrou na cela onde ele estava alojado.

"Os réus tinham o dever de garantir a segurança dos presos sob os seus cuidados no Metropolitan Correctional Center. Em vez disso, eles falharam repetidamente as verificações obrigatórias dos presos e mentiram nos formulários oficiais para ocultar a negligência", disse o advogado dos EUA Geoffrey S. Berman.

Já o advogado de Michael Thomas, Montell Figgins, reiterou que os dois guardas estão a ser "bodes expiatórios".

Falhas no estabelecimento prisional

A morte de Eipstein veio revelar graves irregularidades naquele estabelecimento prisional, incluindo a escassez de pessoal. A cela onde o empresário morreu estava numa unidade de alta segurança, conhecida por alojar terroristas e chefes de cartéis de droga.

O empresário foi colocado sob vigilância suicida depois de ter sido encontrado no dia 23 de julho no chão da cela com um lençol no pescoço. A acusação dizia que ele estava sob vigilância 24 horas antes de ser transferido para observação psicológica até 30 de julho, vários dias antes da sua morte.

Acusações de tráfico sexual de menores

O multimilionário Jeffrey Epstein tinha sido detido por novas acusações de tráfico sexual de menores. Os crimes terão ocorrido entre 2002 e 2005 em residências do milionário em Nova Iorque, Londres, Flórida, Novo México e nas ilhas Virgens.

Segundo o documento de acusação da Procuradoria, Jeffrey Epstein foi acusado de tráfico sexual e de conspiração para cometer esse crime. Epstein "explorou sexualmente e abusou de dezenas de menores nas suas casas em Manhattan, Nova Iorque e Palm Beach, na Florida, entre outros lugares, durante vários anos", segundo a acusação, que alega que após cometer os atos, o milionário pagava às vítimas "centenas de dólares".

Além disso, Epstein foi acusado de "criar uma ampla rede de vítimas menores de idade para explorá-las sexualmente", uma vez que pagava a algumas delas para recrutar outras crianças que seriam vítimas de abusos semelhantes.

Porém, esta foi a segunda vez que o empresário enfrentou um processo por abuso de menores. Em 2008, foi condenado e cumpriu pena de prisão por ter pago para ter relações sexuais com uma menor.