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Palestina rompe "todas as relações" com Israel e os EUA

Mohamed Abd El Ghany

Presidente Mahmud Abbas recusa entrar para a História por "vender Jerusalém"

Mamud Abbas fez o anúncio do corte das relações antes de uma reunião extraordinária da Liga árabe sobre o novo projeto de paz norte-americano para o Médio Oriente.

O líder palestiniano diz que o plano dos EUA é uma "violação dos Acordos de Oslo" assinados com Israel em 1993 e apelou a Israel para que "assuma a responsabilidade de ser potência de ocupação" nos territórios da Palestina.

Pouco depois, no arranque da sessão na capital egípcia, Cairo, afirmou:

"Não vou gravar (o meu nome) na minha história e na história da minha pátria como o que vendeu Jerusalém, porque Jerusalém não é minha, mas de todos", afirmou o líder palestiniano, Mahmud Abbas.

No plano de paz desenhado pela Casa Branca, a Cidade Santa é reconhecida como capital unida de Israel, apesar de Donald Trump ter explicado que os palestinianos podem estabelecer a capital do seu futuro estado nas imediações orientais da urbe, o que Abbas rejeitou categoricamente.

O Presidente palestiniano advertiu que o plano só lhes concede a zona de Abu Dis, um bairro deprimido no Leste de Jerusalém, a não toda a parte oriental da cidade, ocupada em 1967 e anexada em 1980 por Israel.

Abbas, também conhecido como Abu Mazen, sublinhou que os territórios de um futuro estado palestiniano, tal como prevê o plano de Trump, apenas representa 22% da "Palestina histórica".

O líder palestiniano revelou perante os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países que integram a Liga Árabe que recusou receber uma cópia do plano e responder a uma chamada telefónica de Trump.

Ainda assim, lamentou que, desde que Washington começou a mediar a questão entre palestinianos e israelitas, não se tenha alcançado uma solução negociada e que ele próprio se reuniu com Trump quatro vezes, mas os encontros "não produziram qualquer resultado".

Na sessão de hoje, Abbas expos a já conhecida postura dos dirigentes palestinianos sobre o plano e espera-se que a Liga Árabe tente alcançar um consenso entre os seus 22 membros, alguns dos quais consideraram positiva a proposta norte-americana.