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Advogado de Trump perde a compostura durante entrevista

Amr Alfiky

Rudolph Giuliani quis sair em defesa do Presidente dos Estados Unidos, mas acabou por se exaltar.

O advogado pessoal de Donald Trump, Rudolph Giuliani, perdeu a compostura durante uma entrevista televisiva no Reino Unido, em que defendeu uma mensagem do Presidente norte-americano sobre a morte de George Floyd.

O apresentador do programa televisivo matinal britânico Good Morning Britain, Piers Morgan, questionou Giuliani sobre a mensagem que Trump deixou na passada sexta-feira na sua conta da rede social Twitter, em que dizia que "quando os saques começam, começam os tiros", referindo-se à resposta a dar para travar as manifestações violentas que assolam os Estados Unidos.

Essa mensagem foi censurada pela empresa da rede social Twitter, alegando que ela incitava à violência, obrigando Trump a retratar-se e a dizer que a sua intenção era apenas alertar para a violência que os tumultos causam, no comentário aos incidentes em algumas manifestações de protesto pela morte de George Floyd, o afro-americano que morreu asfixiado quando estava sob escolta policial.

"Você está a interpretar mal. Deliberadamente, está a interpretar mal", protestou Giuliani, quando o apresentador disse que o Presidente "nunca deveria ter dito aquilo".

Piers Morgan criticou o advogado de Trump por perder a razão ao defender o seu cliente e a entrevista degenerou numa discussão acalorada e na troca de acusações pessoais, como Giuliani a gritar dizendo que o apresentador televisivo era "um mentiroso" e que fazia comentários "vergonhosos" e este a responder que o convidado estava "louco" e era "violento".

As imagens da discussão no estúdio televisivo tornaram-se virais nas redes sociais, onde é possível ver o advogado do Presidente dos EUA a perder a paciência.

Nas redes sociais, os comentários dividem-se entre os que se riem com Rudolph Giuliani e os que o apoiam por ter conseguido enfrentar o apresentador, conhecido pela sua agressividade.

A morte de George Floyd

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Pelo menos nove mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, e as autoridades impuseram recolher obrigatório em várias cidades, incluindo Washington e Nova Iorque, enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, já ameaçou mobilizar os militares para pôr fim aos distúrbios nas ruas.

Os quatro polícias envolvidos foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.

Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário. A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.

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