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França alerta que o Líbano corre o risco de desaparecer

ALKIS KONSTANTINIDIS

Ministro dos Negócios Estrangeiros francês alerta para a necessidade de formação do Governo para que sejam implementadas reformas "de emergência".

A França reiterou hoje o seu apelo para que seja rápida a formação de um Governo e a adoção de reformas "de emergência" no Líbano, alertando que o país corre o risco de desaparecer.

"Hoje, o risco é do desaparecimento do Líbano. Portanto, é preciso que essas medidas sejam tomadas", declarou o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, à rádio RTL.

O responsável pela diplomacia francesa destacou que essas reformas não poderão ser realizadas pela atual classe política, muito criticada pelo povo libanês.

"Eles estão a fagocitar-se entre si para chegar a um consenso sobre a inação. Isso já não é possível e dizemo-lo com firmeza", afirmou Jean-Yves Le Drian.

"O Presidente da República (Emmanuel Mácron) disse isso quando visitou o Líbano em 06 de agosto e vai dizê-lo novamente quando estiver em Beirute na terça-feira," acrescentou o ministro.

O Presidente Emmanuel Macron visitou Beirute dois dias após a gigantesca explosão que devastou distritos inteiros da capital libanesa e deixou pelo menos 180 mortos.

"Todos sabem o que é preciso fazer, mas já não há Governo no Líbano no momento", continuou o diplomata.

O primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, e sua equipa renunciaram perante críticas de negligência após a explosão no porto, a 4 de agosto, de vários milhares de toneladas de nitrato de amónio.

"A explosão provocou uma espécie de tsunami no porto de Beirute"

"É preciso refazer-se o Governo"

Mais de duas semanas após a renúncia do Governo de Diab, o Presidente libanês, Michel Aoun, ainda não definiu a data para as consultas parlamentares com base nas quais um novo chefe de Governo deve ser nomeado.

"É preciso refazer-se o Governo, tem de ser rápido porque é uma emergência, tanto a humanitária como de saúde (...)", insistiu o ministro francês dos Negócios Estrangeiros.

"Este país está à beira do abismo. Há metade da população a viver abaixo da linha da pobreza, há uma juventude indefesa, há uma situação de desemprego que é terrível, uma inflação que é impressionante", declarou Le Drian.

Isso requer a formação de um "governo de missão" que possa implementar rapidamente "reformas essenciais, porque de outra forma a comunidade internacional não estará lá" para ajudar, repetiu Jean-Yves Le Drian.

Macron deverá visitar o Líbano na próxima terça-feira

"Não vamos assinar um cheque em branco para um Governo que não implemente as reformas" que todos sabem que são necessárias", insistiu, citando em particular as dos serviços públicos e do sistema bancário.

Uma lista de reformas a serem realizadas foi elaborada por Paris e enviada aos líderes políticos libaneses antes da próxima visita de Macron, prevista para terça-feira, disse o palácio presidencial do Eliseu.

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