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Vórtice polar está a dividir-se em dois - e pode trazer semanas de inverno rigoroso

Em Espanha atingiu-se esta quarta-feira o recorde de temperatura mínima alguma vez registado na Península Ibérica: -34,1ºC em Clot del Tuc de la Llança, nos Pirenéus.

David Aguilar (es-ES)

Um repentino aquecimento estratosférico empurra o vórtice polar para fora do Polo Norte movimentando o ar do Ártico sobretudo para o norte da Europa e da América.

Um rápido aumento das temperaturas a grandes altitudes por cima do Polo Norte, onde o ar é rarefeito e tipicamente gélido - chamado evento repentino de aquecimento estratosférico - terá repercussões significativas neste inverno no hemisfério Norte durante semanas, possivelmente meses.

Este evento excecional pode influenciar o tempo na Europa e na América do Norte porque vai aumenta as hipóteses de fortes tempestades de neve e de rajadas de ar ártico, sobretudo no norte da Europa, prevêm os especialistas.

Embora ocorra a grandes altitudes - a cerca de 30 mil metros de altitude -, este evento de aquecimento estratosférico pode afetar o vórtice polar - um sistema de baixa pressão que normalmente paira sobre o Polo Norte (há também um vórtice polar na Antártica). Quando se comporta normalmente, ajuda a manter o ar frio no Ártico.

Se o vórtice polar for forte e estável, como aconteceu no inverno passado, o ar frio mantém-se sobre o Ártico. Mas quando o vórtice polar enfraquece e começa a sair do polo, pode dividir-se e começa a dirigir-se para o sul, afetando assim a América do Norte, a Europa e a Ásia. E é exatamente isto que começou a acontecer, com o aumento da temperatura estratosférica.

Prever como a divisão do vórtice afeta o tempo

Para prever com precisão o clima de inverno, os meteorologistas da Atmospheric and Environmental Research e da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) tentam descobrir como os eventos na estratosfera se repercutem na troposfera, a camada da atmosfera onde se desenrolam os fenómenos meteorológicos.

Sabe-se que os eventos de aquecimento estratosférico podem por vezes desequilibrar o vórtice polar. São acionados por um fluxo ascendente de energia na forma de "ondas atmosféricas em grande escala" a partir da baixa atmosfera, de acordo com Amy Butler, investigadora do Laboratório de Ciências Químicas da NOAA.

Normalmente, os ventos na estratosfera circulam de oeste para leste em torno do Polo Norte, numa área de baixa pressão. Mas o rápido aquecimento - na ordem de 30 graus Celsius nas últimas duas semanas - que está a ocorrer no Ártico está a alterar a área de baixa pressão e a alterar a circulação dos ventos, o que aumenta as hipóteses de que o clima estratosférico influencie as condições meteorológicas na baixa atmosfera.

Assim, quando o vórtice polar enfraquece permite que o ar frio desça para latitudes mais baixas, enquanto o ar quente sobe até às regiões polares.

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