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Rússia bloqueia site de Navalny que apela ao voto na oposição

Anton Vaganov

A página "Voto inteligente" tinha como objetivo mobilizar a população a votar no candidato da oposição com maior possibilidade de ganhar.

O regulador russo dos media, o Roskomnadzor, bloqueou esta segunda-feira uma página digital do líder da oposição russa Alexei Navalny na qual este pede o voto na oposição ao partido do Kremlin, Rússia Unida, nas legislativas de 19 de setembro.

A página "Voto inteligente" foi bloqueada por utilizar os recursos do Fundo de Luta contra a Corrupção, de Navalny, uma organização definida em junho como "extremista" pela justiça russa.

Esta era a única página digital que ainda não tinha sido bloqueada pelas autoridades russas desde a condenação de Navalny a dois anos e meio de prisão, em fevereiro passado.

Previamente, o Roskomnadzor ameaçou a Google e o russo Yandex com avultadas multas caso não bloqueassem o acesso a esta página.

A cerca de um mês das eleições, Navalny apelou, a partir da prisão onde se encontra, à votação nos candidatos que desafiam o Rússia Unida, cuja intenção de voto não ultrapassa os 30%, segundo diversas sondagens.

Com o objetivo de impedir a vitória do partido oficial, o opositor exortou à mobilização em torno da campanha "Voto inteligente", que fomentou, e com o objetivo de apoiar o candidato que estiver mais bem colocado para derrotar o adversário do partido no poder, seja liberal, comunista ou nacionalista.

As autoridades consideram esta campanha, que já permitiu afastar candidatos oficiais de vários parlamentos regionais, como "um instrumento de ingerência externa nas eleições russas".

"Têm medo do 'Voto inteligente'. Provámo-lo em Moscovo, São Petersburgo, e cidades da Sibéria. Funciona. O povo odeia o Rússia Unida", assinalou Navalny.

Nesta ocasião, o ativista divulgou uma aplicação que identifica com nomes e apelidos os candidatos com mais possibilidades de impedirem a eleição do representante do Rússia Unida.

Segundo diversos analistas citados pela agência noticiosa Efe, o "Voto inteligente", que nas eleições de 2019 para o parlamento de Moscovo conseguiu reduzir os deputados oficiais de 38 para 25, pode influenciar os resultados eleitorais nas circunscrições por voto maioritário.

Perante este cenário, e segundo a oposição, as autoridades desencadearam uma campanha de intimidação contra centenas de pessoas vinculadas com as redes regionais de Navalny, e inundaram a internet com aplicações falsas e semelhantes à do "Voto Inteligente".

As autoridades também declararam como "extremista" a organização Golos (Voto), que se afirma vocacionada para a defesa dos direitos dos eleitores e envia observadores para as assembleias de voto.

A oposição russa já acusou o Kremlin de lançar uma campanha de "perseguição judicial" e "purga política" no âmbito das próximas legislativas, iniciada há um ano com o envenenamento de Navalny.

Vários políticos da oposição foram forçados a renunciar às suas candidaturas devido a pressões oficiais, e outros não conseguiram registar-se devido a questões burocráticas, para além do encerramento de organizações empenhadas na proteção de ativistas da oposição e de diversos media independentes.

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